Com sabedoria e moderação
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sábado, 24 de novembro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

"Dinheiro não aceita desaforo!" Foi com a mãe que o jornalista Heron Heloy aprendeu desde cedo a valorizar seu capital. Aos 26 anos, ele sabe exatamente onde investir, quanto gastar, o que comprar, quando comprar. Ele é editor de vídeo em uma emissora de televisão, dá aulas de edição de vídeo alguns meses por ano e tem sua própria empresa. Tendo uma renda mensal flutuante, precisa manter tudo sob controle. Faz uma planilha dos gastos e ganhos, vê quanto sobra e separa para pagar as contas futuras, como do seguro do carro, e o restante guarda.
Filho de um vendedor e uma cozinheira, Heloy conta que tudo que sabe sobre dinheiro aprendeu com a mãe, que sempre soube fazer o controle de gastos da família. "Venho de uma classe menos privilegiada e isso não é um problema. E eu tenho ideia do que posso consumir. Sempre soube que teria que conquistar as coisas, não seria como outras pessoas que se formam e ganham um carro ou um apartamento."
Depois de se programar, no ano passado ele conseguiu comprar seu primeiro carro, um modelo mais antigo, mas que serve às suas necessidades. "Eu coloquei como meta o valor de R$ 15 mil e minhas únicas exigências eram que tivesse direção hidráulica e quatro portas. Não adianta eu querer um carro caro e depois não poder arcar com os custos, porque não é só o valor do carro, tem combustível, manutenção, IPVA, pneus e seguro. Eu fiz as contas e estava gastando entre R$ 300 e R$ 350 com Uber. Hoje gasto R$ 200 com combustível e no fim fica elas por elas, mas o carro se tornou uma necessidade, afinal, precisava transportar os equipamentos e estou com mais clientes. Tem um deles que fica longe de casa, com certeza iria gastar mais com o Uber", explica.
BANDA PREFERIDA
Ele destaca que sabe seu poder de compra e não tenta ostentar aquilo que não tem. Diz que não faz questão de ter roupas ou sapatos de grife. Mensalmente, separa recursos para emergências e para investimentos. Heloy também procura pagar todas as suas contas à vista e só usa o cartão de crédito para compras on-line, como Netflix, passagens aéreas e as licenças dos programas de computador, por exemplo. Aliás, esse é um gasto necessário, segundo ele. "Odeio economia 'porca'. De que adianta não usar um programa original e na hora que eu mais precisar ele travar e eu não conseguir entregar o serviço para o cliente?", questiona, acrescentando que só usa o cartão se tiver certeza que terá dinheiro para quitar o valor integralmente no mês seguinte.
O jornalista ressalta que é controlado com seus gastos, mas não é sovina e escolhe com o que gastar, não se privando de sair com os amigos, viajar e pagar por experiências importantes para ele, como o show de sua banda preferida.
"Penso que a vida é só uma. Quando viajo faço questão de fazer tudo que quiser. Se tiver um prato que só vou comer lá, não me importo de pagar caro. Faço as minhas contas e encaixo um roteiro no orçamento que tenho, porque se for para viajar e não poder fazer as coisas, não vou. Da mesma maneira, se for para sair e não puder tomar uma cerveja boa, fico em casa. Meu avô morreu com dinheiro embaixo do colchão, literalmente falando. Não sou assim. Sou um representante da minha geração, a millenium, que paga por experiências, não para ter as coisas."
INVESTIMENTO
Heloy começou sua empresa adquirindo uma câmera fotográfica com o valor que gastaria na festa de formatura, na qual não via muito sentido. Depois usou uma verba de rescisão para comprar sua ilha de edição. Sua aposta agora é na empresa e para isso ele procura investir em bons equipamentos. "Investimento é o que vai trazer mais dinheiro, então não ligo de gastar. Digo que nesses casos meu ministro interno da fazenda aprova os gastos. O segredo é saber seu poder de compra e não ir além", afirma.
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