O vermelho continua em alta
O vermelho continua em alta | Foto: Divulgação

Com a virada da estação, as tendências de moda para as coleções outono/inverno vão surgindo. Apesar de ser um período de cores mais sóbrias, a influência da década de 1990 vai trazer o neon e animal print para colorir a estação. Para o professor do curso de Moda da UEM (Universidade Estadual de Maringá), em Cianorte, Fabrício de Souza Fortunato, a mescla entre as tendências das estações quentes e frias está cada vez mais presente, mostrando que a coleção primavera/verão tem uma continuidade nas estações mais frias.

O clássico xadrez se mantém presente
O clássico xadrez se mantém presente | Foto: Divulgação

“A gente não tem um inverno tão rigoroso no Brasil e isso influencia um pouco a mescla de tendências. Com esse clima mais ameno de inverno vemos que as tendências acabam se apropriando um pouco do que é do verão”, explica o professor.

Por essa questão, o outono/inverno de 2019 vem com muita cor, como o vermelho do ano passado e o neon, cor mais forte e mais brilhante, além do animal print da década de 1990, com estampas como a de onça, zebra e cobra. “O dad sneaker, que na década de 1990 a gente chamava de ugly shoes, que são tênis de papais e calçados feios, continuam, mas com materiais diferentes, mais pesados, mais quentes”, afirma.

Estilo militar
Estilo militar | Foto: Divulgação

Outra influência da década de 1990 é a roupa menos justa. “Vêm as calças mais largas, tanto para homens, quanto para mulheres. A mistura do conforto do esporte com o contemporâneo chique está em alta. Você vai usar tênis com um vestido mais social, por exemplo. O conforto está cada vez mais se firmando em todas as estações”, diz, indicando os tecidos mais confortáveis, como tricô e malha.

O clássico xadrez se mantém presente no inverno. Escama de peixe, alfaiataria e listras darão continuidade à tendência da estação anterior. Peças retrô, mais românticas, incluindo babados e franjas, e a transparência vieram dar um toque leve. “Vêm os acessórios e calçados com plástico, trazendo a transparência, então, a meia vai continuar super em alta. O verão teve as meias com slides, aquele chinelo, mas agora as pessoas vão usar coturnos transparentes com meia colorida, mostrando a leveza do verão”, argumenta.

Como as tendências

são percebidas

Compreender o espírito do tempo é o papel do cool hunter, o caçador das tendências. Muitas pesquisas são realizadas para poder trazer esta energia com base no comportamento socioeconômico. “Por que se está usando peças com conforto? Porque um resgate dos anos 1990, que vem muito dessa memória coletiva. Quem viveu aquele período quando era adolescente vai ter essa lembrança. É justamente por causa do público, por meio do comportamento sociocultural, que as grandes empresas de tendência pesquisam para lançamento de produtos”, explica o professor do curso de moda da UEM, Fabrício de Souza Fortunato.

Segundo ele, a tendência não é uma questão que está presente apenas na moda, mas uma relação contextual que vai dizer, por meio do comportamento social, como se deseja viver naquele momento. “O animal print e neon vêm da década de 1990, mas não é só na moda que as referências estão presentes, temos uma novela com base nessa década década, filmes também”, argumenta o professor.

Para ele, a pesquisa de tendência busca a memória afetiva e coletiva de uns, mas acaba sendo novidade para outros, trazendo algum desejo de consumo. “É o design visceral, que você se identifica emocionalmente e tem um desejo de compra, porque tem aquilo na memória. Eles fazem propositalmente, percebem o espírito da época com o que a gente está vivendo agora”, explica.

Embora seja algo que já tenha sido utilizado no passado, o professor salienta que essa é a revisitação, com novos materiais, tecidos, tecnologia, trazendo o período passado de forma diferenciada. “A moda se apropria da estética, mas é algo que vem diferente, nunca vai ser a mesma coisa”, explica.

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