Cleusa da Cruz, artesã: “Cada pessoa tem uma ideia, vê na internet e pede. Outros modelos a gente mesmo inventa”
Cleusa da Cruz, artesã: “Cada pessoa tem uma ideia, vê na internet e pede. Outros modelos a gente mesmo inventa” | Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

A última moda nas quermesses é o vestido de chita, rendas e fitas. Tantas cores e estampas juntas, nem sempre é fácil encontrar um modelito adequado. É aí que entra Cleusa Maria da Cruz, 61, artesã e proprietária de uma loja de aviamentos em Cambé. Antes da primeira festa começar, o balanço das saias já está em plena produção em sua máquina de costura.

“Nesse período a gente faz de 50 a 100 vestidos e tem mais os que eu pego para revenda”, fala Cleusa, enquanto ajeita o tecido na máquina. Para agilizar na produção, conta com a ajuda das irmãs e sobrinhas, que vão na loja para contribuir e também para conversar e passar o dia em família.

Enquanto uma saia ganha forma na máquina, outra fica a balançar quando passa o vento pelo manequim. A loja é pequena, do lado de dentro do balcão, as máquinas em pleno vapor quase não aparecem em meio a tanta cor exposta nas araras. “O faturamento aumenta 100%, é o ponto x para o resto do ano, é quando a gente consegue uma renda boa para a produção do artesanato da loja”, afirma a sobrinha Luciana da Cruz Flauzino, 45.

Cada peça leva de duas a três horas para ficar pronta e, apesar de existir um padrão, sempre tem alguém querendo inovar. “Cada pessoa tem uma ideia, vê na internet e pede. Outros modelos a gente mesmo inventa”, afirma a proprietária. Outros itens também são agregados, calção, laços, chapéus e gravatas coloridas adornam o espaço.

O PRIMEIRO VESTIDO

Cleusa aprendeu a costurar com a mãe ainda muito nova, aos 12, mas seu primeiro vestido de festa junina só foi produzido há 10 anos a pedido de uma sobrinha. “Aí o pessoal viu e começou a encomendar”, conta. De boca a boca, ela passou a ser indicada pelas clientes. “Pessoal das universidades, vem gente de Londrina, Rolândia, eles não encontram por lá, então vêm aqui encomendar”, aponta.

Nessa época, ela aproveita para produzir o máximo que consegue para poder investir no bazar no resto do ano. “O movimento cresce no final de maio e começa a parar no final de julho. Acompanha as festas das escolas”, explica. O valor de cada peça varia conforme modelo e tamanho, mas gira em torno de R$ 50 e R$ 110.

PERSONALIZAÇÃO

Cleusa produz vários modelos para pronta-entrega, mas também atende aos pedidos das clientes. As peças são tão delicadas e com tantos apetrechos que ela diz reconhecê-los quando vê um circulando por aí. “A gente percebe pelo aviamento, a costura, o material usado, porque se for ver esses que já vêm prontos não tem um material muito bom”, argumenta.

Para ela, todo vestido caipira precisa ser marcante. “Tem que ser de chita, muito colorido, muita renda, fita de cetim e laços”, aponta. Ela também oferece roupa masculina, mas afirma que o ponto alto do comércio são os vestidos. Também aproveita para vender laços, chapéus e gravatas nessa época do ano. De vestidos que vão do tamanho 0 ao GG de adulto, conta que já possui clientela fiel que em cada ano busca um modelo novo para desfilar nas quermesses.

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