Chás como coadjuvantes no processo de emagrecimento
Uso das ervas deve ter acompanhamento profissional, além de estar associado a exercícios físicos e reeducação alimentar
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de março de 2019
Uso das ervas deve ter acompanhamento profissional, além de estar associado a exercícios físicos e reeducação alimentar
Erika Gonçalves - Grupo Folha 

Chá de hibisco, chá verde, chá branco, chá de cavalinha, chá de sene. Basta uma pesquisa breve na internet ou com as amigas que rapidamente é possível listar vários tipos de chás que ajudariam a "emagrecer". Será que realmente, entre tantas opções, há algum que funcione?
De acordo com a nutricionista funcional Sílvia Serra alguns chás podem ser aliados no processo de perda de peso, desde que somados aos exercícios físicos e à reeducação alimentar. Eles têm determinados efeitos que auxiliam na perda de peso, mas nenhum emagrece. O chá de hibisco, por exemplo, é diurético e ajuda a controlar a pressão arterial, por isso pode causar perda de peso, já que a pessoa perde líquido e desincha.
"Estudos feitos com pacientes em tratamento mostraram que aqueles que tomaram chás, fizeram exercícios e dieta emagreceram mais do que aqueles que não tomaram os chás. Mas para haver efeito é preciso ter acompanhamento pois nem todos os chás são indicados para todas as pessoas. Também há uma quantidade certa a ser ingerida, que é de quatro xícaras ao dia e o chá não pode ser adoçado, nem com açúcar nem com adoçante", explica.
Serra afirma que a fitoterapia - a ciência que estuda as plantas, é cheia de detalhes e justamente devido as ervas terem efeitos sobre nosso corpo, não devem ser tomadas sem o acompanhamento de um profissional. "Não se pode misturar muitas ervas porque uma pode anular o efeito da outra. Há ervas que podem causar efeitos colaterais muito sérios. O chá de sene, por exemplo, fere as paredes do intestino. O chá de cavalinha que é depurativo e diurético pode retirar do organismo vitaminas e minerais. Chás em excesso podem causar câimbras, hipotensão (pressão baixa) e até desidratação. Grávidas devem ter extremo cuidado porque muitos deles podem causar aborto", alerta.

Especialista em fitomedicina, o médico Rui Cepil Diniz alerta que emagrecimento não é um milagre e sim um processo decorrente da mudança do estilo de vida. O uso indiscriminado e sem orientação profissional de chás pode acabar causando transtornos.
"O problema dos chás é que muitas vezes eles aceleram o metabolismo e se a pessoa for ansiosa ou tiver pressão alta, pode ter problemas. Muitas vezes ela aumenta a dose e isso acaba levando a efeitos colaterais que podem ser piores que a obesidade. Guaraná e chás com cafeína como o chá verde e o chá preto podem causar aumento da frequência cardíaca, irritabilidade, problemas de estômago e até convulsão", alerta.
Segundo ele, podem ser usados com parcimônia aquilo que a cultura popular já testou como o boldo para problemas digestivos, substâncias aromáticas para problemas respiratórios e os chás de ervas como cidreira, hortelã, camomila e erva-doce para relaxar e ajudar no sono.
Diniz recomenda que o paciente sempre busque informações técnicas com profissionais capacitados e não se oriente pela internet apenas. Muitas pessoas ainda preferem se tratar ´por meio da fitoterapia e segundo o médico, apesar do programa municipal em Londrina não estar mais funcionando, os profissionais das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) podem indicar medicamentos fitoterápicos para os pacientes que assim o desejarem.


