Celebrando o amor
Sem cunho religioso ou civil, casamentos feitos por celebrante começam a se popularizar em Londrina
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de junho de 2019
Sem cunho religioso ou civil, casamentos feitos por celebrante começam a se popularizar em Londrina
Erika Gonçalves - Grupo Folha 

A voz bem articulada - resultado de anos trabalhando em rádio - e a experiência de escrever histórias sobre o outro adquirida com o jornalismo foram fundamentais para a nova atividade do mestre de cerimônia e celebrante de casamento Edson Ferreira. Há dois anos ele passou a se dedicar a ser um comunicador também em eventos.
“Eu já trabalhava em eventos corporativos e me convidaram para celebrar um casamento. Fui ver como isso devia ser feito, fiz um curso em São Paulo, onde essa atividade já é realizada há muito mais tempo, estudei e fiz minhas pesquisas e hoje celebro cerimônias com ou sem inspiração religiosa”, diz.
Diferentemente das cerimônias realizadas pelas igrejas e no cartório, a feita pelo celebrante não tem valor de sacramento religioso ou civil mas nem por isso é menos emocionante. Segundo Ferreira, cada casal escolhe como deve ser realizado o seu casamento ou renovação de votos.
Pode ser desde o cortejo tradicional, com padrinhos e noiva entrando de braços dados com o pai, noivos que entram juntos, noivos que entram somente com os pais. No conteúdo, além da cerimônia com inspiração religiosa, podem ser realizadas muitas outras como a da areia, do vinho, do chá e das velas.
“A cerimônia é feita da forma como os noivos desejarem. Meu objetivo é ser o comunicador no dia, apresentar a história do casal, como se conheceram e como chegaram até ali. Para isso fazemos uma entrevista previamente. Sempre é muito emocionante e é uma satisfação muito grande. Eu vou fazer parte das fotos, do vídeo, das lembranças desse casal. Minhas palavras de alguma forma vão estar guardadas na história deles”, afirma.
Entre os casais que buscam esse tipo de serviço há todo tipo de perfil: divorciados, de religiões diferentes, que apenas se casaram no civil, que já moram juntos. “Há quem faça o casamento na igreja, mais íntimo, e a cerimônia ao ar livre, para muitos convidados. Já fiz também em conjunto com um pastor e uma outra em conjunto com o juiz de paz”, explica.
Desde que se tornou celebrante, Ferreira diz que em algumas situações a emoção falou mais alto e não foi possível segurar as lágrimas. “Há casos em que há uma doença na família e aquilo acaba aproximando o casal. Quando a noiva faz seus votos as pessoas não sabem exatamente o que ela quer dizer, mas eu sei, porque fiz a entrevista antes, eu sei o quanto aquilo foi difícil”, conta, destacando que na sua experiência geralmente são os homens que choram mais no altar.
O celebrante reforça que o formato da cerimônia é uma escolha do casal, mas ele sempre recomenda que os noivos façam os seus votos, o que torna tudo muito mais emocionante. “Quando eles falam é muito melhor. Pode ser com uma cola no papel, no celular, de improviso. Pode ser um poema ou cantando. Os convidados estão ali torcendo pelo melhor, todos ficam emocionados”, diz.
Além dos casamentos, Ferreira também celebra bodas e uma delas foi bastante marcante para ele. “Eram Bodas de Ouro e fiquei pensando o que iria falar para um casal que tinha mais tempo de matrimônio do que eu de vida. Eu vou ensinar o quê? Não tem jeito. Nesse caso conversei com os filhos e netos, construí a cerimônia a partir do olhar deles sobre esse casal e foi muito bonito”, conta.
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