Alimentação
A nutricionista Tatiana Góis alerta para a mudança no estilo de vida, enfatizando ser uma postura para a vida toda. Por isso, dietas radicais não funcionam, o ideal é começar devagar. "Dieta radical a pessoa não vai conseguir seguir por muito tempo, então a ideia é o contrário, é fazer uma dieta que ela siga pelo resto da vida", afirma. Balancear os nutrientes e não excluir nenhum grupo são outras orientações.

Seja pela praticidade ou por costume, muitos obesos possuem o hábito de comer industrializados. "O problema é que os industrializados têm muito sódio, muita gordura, muito açúcar e muitos aditivos que fazem com que o alimento fique altamente palatável, então ele tem um gosto muito bom, que vicia. A pessoa começa a achar que fruta, verdura e legume não têm gosto de nada", observa. Por isso, a nutricionista pede para sempre optar pelas "comidas de verdade" para que volte a ter prazer em comer esses alimentos.

O paladar mal acostumado vem de uma má educação alimentar (sem o incentivo para comidas naturais), ou pela rotina atarefada que acaba levando à opção por produtos prontos. E trocar a refeição por lanches é uma das preocupações. Góis indica sempre optar por produtos naturais e dietas balanceadas para que o organismo esteja sempre bem nutrido durante o processo de emagrecimento.

Exercício Físico
Atividade física é essencial para qualquer ser humano. No caso dos obesos, é preciso ter uma atenção especial. Débora Monson, personal trainer do Studio Carpe Diem, afirma que há um processo de adaptação, já que, normalmente, há essa mudança do sedentarismo para a prática do exercício. "Isso vai acontecer, principalmente, por meio de um fortalecimento muscular, articular (porque as articulações sofrem muito por causa do sobrepeso) e o fortalecimento do core, essa região abdominal, central do corpo, que é muito importante para dar toda essa sustentação", explica.

No início é normal sentir as dificuldades. "Até porque elas vêm de uma rotina de vida muito sedentária", informa. No início, começa-se a entender como o corpo se movimenta e sua demanda de gasto energético, por isso a importância de ter um profissional para acompanhar e controlar a saúde no momento do exercício.

Passando esse processo, a pessoa obesa começa a treinar normalmente, lançando mão de estratégias para conquistar seu objetivo. "A pessoa vai ter mais qualidade de vida por meio de suas capacidades físicas, como força, velocidade, agilidade, condicionamento respiratório, fortalecimento das articulações, tendo muito mais consciência corporal", defende. "Ela vai tomar posse de movimentos e condições que lhes foram tomados no decorrer de sua rotina não tão saudável."

Mente
Mudar hábitos exige mais que disciplina. "As pessoas tentam dietas e no começo conseguem promover certa disciplina, consciência, depois desanimam, se desestimulam e voltam ao padrão mental e comportamental anterior. Isso é o que mais dificulta", explica a psicóloga Tatiana Villar.

É aí que entra o processo terapêutico, que investiga o que cada um tem de conteúdo interno, considerando força e limitação para trabalhar com questões específicas. Uma das técnicas indicadas é o Mindfulness (atenção para o momento presente), que, segundo a especialista, ajuda na desconstrução de algumas crenças e pode auxiliar pacientes a manterem-se focados na atividade proposta.

Outra questão é a construção de novos hábitos de forma gradativa. "Para uma mudança de comportamento efetiva é importante que comece aos poucos e que durante esse movimento passe a sentir os benefícios da construção desse novo comportamento", afirma. Por isso, a pessoa que se propõe a mudar deve iniciar conforme sua rotina permite para então ir acrescentando até atingir o nível ideal.

Farmacológico
O tratamento com medicação funciona em conjunto a outras terapias com foco na modificação de hábitos do paciente. Deve ser individualizado, sob supervisão médica e mantido em ocasiões em que é seguro e efetivo. "Como toda doença crônica, o tratamento farmacológico inicia-se na prevenção secundária para impedir a progressão da doença para um estágio mais grave e prevenir complicações", explica a médica endocrinologista Danielle Fabretti.

Segundo a especialista, o medicamento entra quando há falhas no tratamento não famacológico, sendo indicado para pessoas com IMC igual ou superior a 30 ou com IMC igual ou superior a 25, quando associado a outros fatores de risco.

As discussões em torno da prescrição de medicamentos e proibição de venda e comercialização de anorexígenos ainda estão em pauta. Fabretti explica que alguns produtos vendidos como antiobesidade acabam escondendo drogas que já foram proibidas, por isso, defende a fiscalização da prescrição incorreta, abusiva e antiética dos remédios no lugar de retirá-los do mercado.

Os medicamentos para tratamento da obesidade aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) são: sibutramina, orlistat, cloridrato de lorcasserina, liraglutida e os anorexígenos: anfepramona, femproporex e mazindol. Cada um possui uma característica como inibição do apetite, aumento da saciedade, entre outros.

"O endocrinologista é o médico mais habilitado para acompanhar o paciente obeso no seu processo de emagrecimento", afirma Fabretti, explicando que o especialista deve avaliar as causas e riscos do paciente, alertá-lo sobre os malefícios da doença e tratar as comorbidades relacionadas à obesidade. Durante este processo, pode incluir o tratamento com medicação antiobesidade.

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