'Cada um cuida da sua bagunça'
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sexta-feira, 01 de março de 2019
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

Atire a primeira caixa organizadora quem nunca assistiu a um programa de organização e quis sair arrumando prateleiras e gavetas. A mineira Luciana Azevedo é um exemplo. Casada, mãe de duas crianças (Nicolas, 10 e Lily, 7) e morando em diferentes países há 15 anos por causa do trabalho, ela conta que nunca teve ajuda de funcionários para cuidar nem da casa, nem dos filhos, por isso buscou "uma rotina de organização prática e eficiente, sem se tornar refém dela".
Ela e o marido se conheceram na faculdade de geologia e com a chegada do primeiro filho, Azevedo sentiu vontade de desacelerar e acompanhar de perto o crescimento de Nic, como o chama. Transformou seu hobby de desenhar em um negócio e também criou um blog (Nicolilando Por Aí) e um canal no YouTube (Canal Lu Azevedo). "No meu canal divido o meu dia a dia com meus dois filhos e mostro como uma rotina tranquila pode afetar positivamente o humor e o comportamento das crianças. Também faço vídeos de lanches saudáveis, ideias para lancheira, viagens em família e um tópico muito popular: organização da casa, sempre envolvendo a família toda", conta.
Seu método consiste em fazer um pouco de cada vez e nunca deixar as coisas se acumularem. "Em geral, passo de 15 a 30 minutos por dia dando uma geral na casa toda e passo 15 minutos limpando alguma área de forma mais profunda. No final do dia, eu e as crianças usamos uma cesta para recolher tudo o que estiver fora do lugar e guardar. Seguindo esse sistema, minha casa nunca fica um caos completo. Nunca mesmo. No entanto, para dar certo, três coisas são essenciais: 1. que a casa esteja livre de tralhas e acúmulos, 2. que cada coisa tenha um lugar designado, 3. que cada um seja responsável por sua bagunça", descreve ela.
Assim como muitas pessoas, a ilustradora também conheceu a série com Marie Kondo e ficou tocada pela forma de ver os objetos. "Com ela aprendi a ressignificar as coisas que tenho e ter gratidão pela função que essas coisas exercem na minha vida, como a casa que nos protege ou as roupas que nos vestem. Quando a gente muda esse olhar, e vê tudo não somente como coisas materiais, a gente se sente compelido a cuidar melhor dessas coisas. E a conservar somente o que tem um propósito maior e nos traz alegria. Com esse pensamento, tenho inclusive comprado menos, porque penso duas vezes antes de trazer algo para minha casa que pode potencialmente virar uma tralha no futuro."
Azevedo diz que também foi acometida pela vontade de organizar todas as gavetas e armários da casa como um fichário, de forma a abrir a gaveta e visualizar tudo de uma só vez. "A mudança foi maravilhosa, porque traz um bem-estar instantâneo e torna o uso das roupas mais eficiente. Percebo que depois dessa organização o sentimento de 'não ter roupa' diminuiu, porque agora não temos mais roupas escondidas debaixo umas das outras. E estou admirada e feliz de ver como toda a família aderiu à mudança e está ajudando a manter - incluindo meu marido, Rafael, que há um bom tempo é o responsável por dobrar as roupas da casa e agora assistiu partes da série só para aprender a dobrar."


