Boneca de pano: elo entre mãe e filha
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sexta-feira, 05 de outubro de 2018
Walquiria Vieira<br>Reportagem Local 
O acesso à tecnologia não foi capaz de tirar da pedagoga e contadora de histórias Renata Suzue Ogata o gosto pelas coisas mais simples, como uma boneca de pano. A mãe e a avó de Renata, habilidosas com as costuras, passaram a ela a herança e hoje suas bonecas são os brinquedos preferidos da filha, Ana Flávia, 4. "Acredito que as relíquias da nossa infância trazem um contexto histórico, memórias que compõem a nossa identidade, mesmo que tenhamos acesso a coisas compradas ou modernas."

O desenvolvimento com esses valores foi natural, assim como tem sido com Ana Flávia. "Ela me ajuda a pegar os tecidos, sabe dobrar, enche com plumante e isso ajuda na coordenação, desenvolve a psicomotricidade e agrega afeto", pensa. "A boneca mexe com o imaginário, é subjetiva, traz uma narrativa ilimitada e até uma consciência ambiental porque as crianças podem desenvolver um pensamento reflexivo desde cedo", afirma. "Não precisa ter uma coleção de 20 bonecas."
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Quando fazem bonecas, Renata e Ana brincam: "É emocionante. É olho no olho, algo que nos faz tão humanos". E diz que se surpreende: "Eu achava que logo ela fosse enjoar, mas valoriza, gosta, cria e tornou-se o meu controle de qualidade porque também faço para minhas amigas", revela. Ogata considera ainda que ao investir em bens duráveis, como as bonecas de pano que faz, está construindo valores. "Elas são laváveis, podem ser abraçadas para dormir e mesmo quem pensa que não sabe fazer, consegue. Com um retalho, uma agulha e linha, é possível." E arremata: "O que nós adultos fazemos sempre influencia e acredito no benefício que isso terá para ela", diz. (W.V.)


