Além de ter se tornado uma voluntária, Eva Márcia Konno também levou outras pessoas para o voluntariado, como o marido, o filho e amigas. No final do ano as crianças atendidas pela Associação ganham presentes entregues pelo Papai Noel, mas em 2018 ela achou que seria necessário fazer algo além. "Todos participam de um café e ganham brinquedos, mas eu pensava: 'e no dia de Natal, vão comer o quê?'" Foi então que ela teve a ideia de promover vários cursos para a comunidade, com o objetivo de arrecadar alimentos e dinheiro para montar cestas básicas para as famílias cadastradas na entidade. Convidou outras culinaristas que aceitaram doar seu tempo, seu conhecimento e os ingredientes para o curso.

Chamado de "Pessoas feitas de amor", o projeto promoveu dois meses de aulas, onde a inscrição para cada oficina tinha um valor simbólico, além da doação de um alimento não perecível. No final tudo se transformou em 50 cestas básicas, além de brinquedos que, claro, foram devidamente entregues pelo Papai Noel no dia 14 de dezembro. Com o resultado positivo, a intenção agora é começar já nos primeiros dias de 2019 a planejar uma grade de aulas para o ano todo. "São cursos que se as pessoas fossem pagar em outros lugares seriam caros e lá, além de custar pouco, ainda têm a finalidade de ajudar quem precisa", explica ela.

O objetivo desta nova proposta é ir além da festa de fim de ano: equipar a cozinha industrial usada no atendimento às mulheres. A culinarista explica que faltam equipamentos para as aulas como batedeira, talheres, panos de prato e toda semana ela precisa levar de casa os materiais necessários. "A Associação custeia os ingredientes, que são sempre mais simples, mas não tem condições de comprar esses itens já que também depende de doação", diz.

Konno destaca que o voluntariado mudou sua vida e graças ao apoio da família consegue seguir adiante. Hoje ela cursa pós-graduação e planeja dar aulas no ensino superior. "O doador é diferente do voluntário. Enquanto o primeiro apenas entrega uma doação, o segundo vivencia mais a vida de quem ele ajuda. O poder público tem a obrigação dele, mas não podemos ficar esperando que dê o pão a quem tem fome. Temos que fazer nossa parte, temos que cobrar, mas podemos mobilizar outras pessoas para ajudar. Todos são necessários, todos têm seu valor." (E.G)

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