Muito da empolgação da cidade iluminada vinha da campanha LondriNatal, da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), que fez parceria com empresa de iluminação, possibilitando que muitas lâmpadas fossem distribuídas a baixo custo. O curso de arquitetura da UniFil também fazia projetos luminotécnicos gratuitamente. "A cidade ficava mais alegre, mais iluminada, bonita, com clima melhor e as pessoas mais felizes. Todo mundo ajudava um pouco, favorecia a cidade como um todo, era bom para o comércio", conta Abílio Medeiros Júnior, presidente da Acil entre 1996 e 1998.

O ex-presidente da associação explica que a campanha LondriNatal iniciou com o antecessor, Francisco Negri Filho (1994-1996). No ano seguinte, deu continuidade ao projeto e a cidade ganhou a Casa do Papai Noel, na beira do lago Igapó. "Quando inauguramos, eu lembro que foi o maior público de evento aberto que teve em Londrina. O Papai Noel chegou pelo lago Igapó, com trenó estilizado em uma lancha, quatro jet skis imitando renas", recorda. Arquitetos assinavam os cômodos da casa e os ingressos eram cobrados com baixo custo. Do lado de fora, shows e espetáculos para a família.

Pelos bairros, as decorações incentivadas pelo concurso de casas, prédios e lojas mais bem enfeitados para o Natal, com distribuição de prêmios e troféus. Helenida Tauil, que fazia parte do Conselho da Mulher Empresária, da Acil, acompanhou um pouco do processo da comissão julgadora. "Era considerado o projeto de iluminação, havia categorias: comercial e residencial. Era tão empolgante. Lembro que durante dois anos, todo mundo enfeitava. As pessoas tinham entusiasmo", menciona relembrando as casas do jardim Quebec.

Várias ações transformaram a cidade, mas durou pouco tempo. Londrina teve outras iniciativas, mas poucas como esta em que as pessoas entraram no clima a ponto de tornarem suas residências e comércios espécies de atração natalina. "Foram três anos, em 1998 eu saí e já funcionou com menor força. Tem que ter alguém puxando a fila. O que existiu foi um início de movimento provocado por alguém", afirma Medeiros Júnior.

Quem viveu aquele período, leva a memória de uma cidade de prédios e casas iluminados, de Centro movimentado, do ônibus adaptado para o turismo e atrações que vinham desde os espetáculos, atividades, passeios organizados aos pequenos detalhes da decoração singela em cada quintal. A era da beleza convidativa de uma Londrina participativa e reluzente. (L.T.)

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