As festas e seus símbolos
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de junho de 2019
Erika Gonçalves - Grupo Folha 

Quadrilha, bandeirinhas, roupa xadrez, comida farta e muito saborosa. Difícil quem não curta uma boa festa junina, mesmo que não seja exatamente ligado na tradição católica. Claramente de inspiração rural, qual o significado de cada um dos símbolos dessas festas?
Valdecir Ferreira, padre do seminário Nossa Senhora de Lourdes e professor da PUCPR Campus Londrina e da Unisal, explica que as festas juninas nasceram antes da Era Cristã, fora do contexto cristão.
“Elas eram relacionadas ao dia mais longo do ano no Hemisfério Norte e a noite mais longa no Hemisfério Sul. Era um dia reservado às festas. Eles também estavam saindo das colheitas, era uma festa em agradecimento. A Igreja pegou três santos bastante populares e trouxe essas festas para esses santos. As festas juninas chegaram aqui a partir da vinda dos jesuítas e se associaram aos indígenas, que também festejavam. São festas de fartura, de comer aquilo que tinha”, explica ele.
Cada um dos itens que fazem parte das festas mais tradicionais vieram exatamente dessa época. Confira sua origem a seguir, conforme informações do padre Valdecir:
- Comidas: é justamente por essa relação com os índios que as comidas mais típicas se relacionam com o que era colhido na época: amendoim, batata-doce, milho, mandioca e o pinhão, aqui no Sul.
- Roupas: eram as roupas usadas no dia a dia de trabalho na roça, por isso muitas tinham remendos. As camisas flaneladas eram por conta do frio e as mulheres usavam seus vestidos com rendas.
- Quadrilha: foi inspirada nas danças francesas, executadas em pares. “Essas danças vieram com a família real portuguesa, que era bastante influenciada pela França, país muito importante até a 2ª Guerra Mundial. Foram esses passos ritmados que deram origem à quadrilha e foram adaptados pelos mais pobres que precisavam de orientação para dançar.
- Bandeirinhas: A bandeira era uma forma de decoração para momentos importantes, algo como as flores atualmente.
- Casamento caipira: surgiu por causa da interseção de Santo Antônio junto ao pai de uma moça, em favor do noivo. Por isso ele ficou conhecido como o santo casamenteiro. No Brasil foi feita uma teatralização, algo mais engraçado.
- Fogueira: no Sul do País serve para aquecer e também para assar os alimentos. Uma lenda dizia que Santa Isabel, prima de Maria, acenderia uma fogueira quando São João Batista nascesse para avisá-la do nascimento. Relatos bíblicos, entretanto, dão conta de que Nossa Senhora estava com a prima no momento do parto, o que dispensaria a fogueira. As maiores festas juninas do Nordeste têm a fogueira mesmo sendo locais mais quentes, provavelmente por causa da lenda.


