As cores e o gingado do Senegal
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sábado, 26 de novembro de 2016
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local
Capital do Senegal, na África Ocidental, Dakar é uma metrópole com mais de três milhões de habitantes. Famosa pelo hally que leva seu nome, a cidade vai muito além de automobilismo. A generosidade de seu povo e o gosto por compartilhar de alimentos a um teto - foram algumas das coisas que mais chamaram a atenção da repórter fotográfica Gina Mardones. Ela viajou para o continente africano em outubro, à convite de dois amigos brasileiros que são missionários da Igreja Metodista e moram na cidade há quase três anos, coordenando um projeto social para famílias de baixa renda.
Nos 17 dias que passou no país, Gina conta que aproveitou para fazer diversas fotos e também ministrar um curso de fotografia com a câmera do celular. "Eles não têm câmeras lá, então ficaram felizes em aprender a usar o celular. Aliás, os senegaleses adoram aprender e ficam muito gratos com todas as oportunidades", conta ela.
Os muçulmanos correspondem a aproximadamente 96% da população, mas também há cristãos e pessoas de outras religiões. "Os homens não usam barba comprida e as mulheres não usam burca. Geralmente usam véus e as casadas, turbantes. As mulheres andam sozinhas pelas ruas, não há conflitos religiosos de maneira geral. Quanto à roupa, gostam de muitas cores, fortes, estampadas, algumas com brilhos e bordados. Apesar de não terem o hábito de frequentarem shoppings, que lá são simples e voltados mais aos turistas e estrangeiros, elas gostam muito de roupas, que costumam mandar fazer em costureiros. Geralmente são saias longas que vão até os pés, que elas consideram mais elegante, e blusas com manga até o cotovelo", conta Gina.
Outro hábito que chamou a atenção da fotógrafa foi de as famílias serem numerosas e todos morarem juntos, mesmo em casas pequenas. Geralmente os filhos homens permanecem na casa mesmo depois de casados e há muito respeito pelos mais velhos, que são chamados de papai e mamãe, mesmo quando não há parentesco.
"Algo que me marcou muito é que os senegaleses são muito receptivos, eles podem não conhecer a pessoa direito mas a convidam para passar a noite em sua casa. E também são solidários, eles dividem qualquer coisa com você, mesmo que seja um pão apenas. Você não vê gente passando fome nas ruas."
Na hora da refeição todos comem juntos em um bowl, usando colheres e sempre com a mão direita, que aliás é usada também para cumprimentar e entregar algo para outra pessoa. Gina conta que os senegaleses comem muito arroz, legumes e peixes, e também carne de cabrito. "A comida é bastante apimentada, mesmo com o calor que faz lá. Eles também gostam bastante de hibisco, com o qual eles fazem de tudo: sucos, sorvete. Algo diferente que encontrei lá foi o baobá, que eles fazem bolachas e muitos outros pratos. Também não tomam café e sim um tipo de chá verde muito quente e muito doce, que chamam de ataya", conta.
Apesar do porte de metrópole, em Dakar não existe miséria extrema e os moradores se dedicam à pesca e ao comércio. Há grandes universidades e muitos estrangeiros vão estudar lá, inclusive brasileiros. "O Senegal é um país bastante musical, acredito que nisso são parecidos com os brasileiros. Eles gostam muito de festas, que duram até uma semana. Também gostam de dançar e têm ginga."
História
Um dos pontos turísticos para quem visita Dakar é a Ilha de Gorée, que fica a oeste da cidade. Patrimônio da Unesco, o território foi marcado por ser um entreposto do tráfico de escravos para as Américas. Cálculos indicam que tenham passado por lá mais de cinco milhões de pessoas.
"Há uma casa onde os escravos ficavam esperando pelos navios, os homens separados das mulheres e crianças. Tem um longo corredor que é por onde eles passavam para embarcar, era o último local em solo africano. É muito impressionante e que eles mantêm a casa até hoje, para que as pessoas não se esqueçam do que aconteceu", conta Gina.