Aquecendo o estômago
Com o cair das folhas e das temperaturas, sopas, caldos e cremes entram nos cardápios para esquentar o coração dos clientes
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de março de 2019
Com o cair das folhas e das temperaturas, sopas, caldos e cremes entram nos cardápios para esquentar o coração dos clientes
Laís Taine - Grupo Folha 

Nada como uma sopa bem quentinha para aquecer o coração e confortar o estômago. Para agradar aos clientes, caldos, sopas e cremes começam a entrar no menu dos restaurantes, que apostam na comida aconchegante para receber a nova estação. Com o clima mais ameno, consultor gastronômico conta como os estabelecimentos tornam o ato de se alimentar em uma verdadeira experiência.
“Nosso comportamento alimentar muda muito diante do clima. Pratos que causam sensação de frescor, como os mais cítricos, os mais ácidos, que valorizam frutas e ingredientes mais frescos, tendem a ser mais aceitos no verão. Assim como pratos mais substanciosos, com um pouco mais de gordura, tendem a ter aceitação maior no inverno”, ensina o professor e consultor gastronômico Jair Solin.
Ele explica que o ato de se alimentar por necessidade ficou no passado, hoje as pessoas buscam o prazer no alimento, que pode ser alcançado ao trazer experiência sensorial. No frio, os alimentos mais gordurosos, como os caldos, é que trazem essa sensação e se tornam a aposta dos estabelecimentos. “São preparos mais versáteis, fáceis de fazer, de armazenar, não fazem com que a dinâmica do restaurante se altere muito. Então, há aumento dos pratos mais substanciosos e quentes e diminuição dos pratos cítricos, ácidos e frescos”, afirma. Estratégia utilizada não só por restaurantes, como por padarias e casas de petiscos.
Assim, nesse período, os pratos de longo cozimentos são mais aprazíveis. “Traz essa coisa do ingrediente ficar apurando, do sabor ser mais forte e o nosso paladar estar mais receptível para esse tipo de produto”, explica. Os ingredientes básicos como cabotiá, batata, mandioquinha e mandioca trazem a textura mais cremosa e concentração de sabor. Saladas frias também podem ser substituídas por saladas quentes, compostas com misturas de grãos.
Mas não é só no paladar que se conquista os clientes do frio. “Qualquer coisa que agregue mais informação a essa experiência é interessante. Hoje em dia, restaurantes de alta gastronomia, reconhecidos mundialmente, mostram que tudo ali tem uma conexão com a comida: iluminação, aromas, música, temperatura, tudo para dar ao cliente uma experiência ligada ao conforto”, explica.
Esse aconchego fica ainda mais evidente nos dias frios. “O comfort food é um termo usado para aqueles pratos que têm sabor mais forte, que você se reconhece nele, que fala um pouco do nosso paladar e que a gente está acostumado a comer e das nossas preferências. Isso também fica mais claro nesse período mais frio”, menciona.
'Lembrança afetiva muito boa'
Em Londrina, alguns restaurantes já estão se preparando para os pratos de outono/inverno, colocando novas opções no cardápio. No Magnólia Bar, os caldos já são esperados pelos clientes mais fiéis, que não perdem a oportunidade de pedir uma sopinha nos dias mais frios.
“No total são 12 tipos diferentes que a gente faz e avisa aos clientes. Também temos os dias do open, quando colocamos seis tipos de caldos para tomar à vontade”, explica Alexandra Alves, uma das proprietárias.
Os caldos se tornaram tradição no local. Quando a temperatura cai, alguns clientes já começam a perguntar por eles. Para Alves, o segredo é utilizar bons ingredientes. “Tudo natural: alho, cebola, pimenta, sal, é isso que garante um caldo saboroso”, afirma. Apesar do sucesso entre os mais assíduos, ela conta que mantém a tradição de incluí-los apenas nos tempo frio.
Uma pena, porque Amanda Orcioli, 27, não se importa em saboreá-los mesmo no calor. “Sempre que eu saio para comer e tem o caldo no cardápio eu peço, independentemente se está no inverno ou não”, ri a química. Por ser apaixonada pelo prato, acaba sendo criteriosa na escolha. Entre os seus preferidos estão o de mandioquinha-salsa com costela defumada e o de cabotiá com carne seca.
Para Orcioli, esse tipo de prato tem gosto de infância. “Não sei explicar, é uma coisa que eu sempre gostei, traz uma lembrança afetiva muito boa, é comida de mãe. No inverno, minha mãe sempre acabava fazendo caldo de feijão ou canja, coisas mais simples. Quando quero algo mais elaborado, recorro ao bar” brinca.


