“Só tenho a agradecer a Deus!”, diz Eliel Silva, ao lado da família
“Só tenho a agradecer a Deus!”, diz Eliel Silva, ao lado da família | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

Cuidar da irrigação para que as plantas não morram no período de seca. Virar noites geladas acordado, medindo a temperatura e observando o céu em busca de sinais de geada. A missão de produzir alimentos não é nada fácil para os agricultores, que dependem o tempo todo das condições climáticas e podem perder tudo, de uma hora para outra.

Trabalhando há mais de 30 anos com hortaliças, o agricultor Eliel dos Santos Silva já viveu inúmeras situações inesperadas e aprendeu ao longo do tempo a lidar com elas. Em diversas ocasiões ele atendeu a reportagem da FOLHA para contar sobre as perdas de produção, como na greve dos caminhoneiros em maio de 2018, uma geada em setembro de 2002 e outra em junho de 2009 ou ainda uma geada em abril de 2008. E foi com elas que aprendeu a driblar as adversidades e tentar minimizar essas perdas.

“O clima mudou muito nesses 30 anos, vemos muitas tragédias, muita chuva, muita geada, muito vendaval. Tem produtor que até desanima”, conta ele, que começou trabalhando com o pai e em 1986, aos 16 anos, arrendou uma propriedade, se casou e começou a trabalhar com a esposa, Luzia Terra Silva.

Com o desejo de possuir a própria terra, em 1999 ele conta que tentou ir para os Estados Unidos, para trabalhar e conseguir juntar o dinheiro suficiente, mas não conseguiu viajar. Com visto para a França, resolveu entrar na Inglaterra e ir trabalhar em uma plantação de morangos, mas acabou sendo deportado. “Fiquei muito triste, mas minha esposa me deu muita força e me disse para voltar e trabalhar aqui. Comecei a fazer um planejamento de plantio e fiz o consórcio de um imóvel.”

Trabalhando na propriedade arrendada, ele diz que com muito sacrifício conseguiu pagar as parcelas do consórcio em dia, até que foi contemplado. Comprou o sítio onde até hoje trabalha com a esposa e os três filhos – Cristiane, Mateus e Misael, no sistema de agricultura familiar, no Patrimônio Selva. “Dois deles já se formaram na universidade e trabalham comigo também. O caçula está estudando ainda, mas também me ajuda no sítio.”

E como tentar driblar os caprichos da natureza? Com a ajuda da Emater aprendeu a planejar a produção e também construiu uma estufa. “Tenho uma estufa de hidroponia, que ajuda na seca. No inverno, se der geada, a estufa ajuda muito. Também aprendi as melhores culturas para cada época. Tem algumas que se plantar fora de época, vai perder. Com a programação de plantio sei, por exemplo, que no inverno as pessoas querem comprar mais couve-flor e repolho, por conta das sopas. Na ExpoLondrina se vende muito alface, assim como depois da Páscoa, por causa dos churrascos”, explica.

Silva conta que entre tantas perdas, a que mais o abalou foram as fortes chuvas de 11 de janeiro de 2016, quando choveu 91,4 mm em 24h. Com um prejuízo de mais de R$ 40 mil, ele se viu sem saída e com uma grande dívida. Vendeu um veículo da propriedade e foi administrando o débito.

“No final de 2018 os preços subiram, o que deu uma ajuda boa. Às vezes precisei recorrer à investimento, a última parcela paguei há pouco tempo. No ano passado, depois de 12 anos, consegui viajar de férias com a minha esposa. Só tenho a agradecer a Deus!”

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