"A gente adquire empatia através das experiências afetivas, as primeiras com os pais, depois com a família, depois com as experiências sociais", conta a psicóloga Isabel De Negri Xavier. Por isso, fala da importância de os pais ensinarem os filhos a compreenderem o outro em vez de revidar uma situação de crise. Para isso, é preciso evitar comportamentos ruins na educação dos filhos. "Tem dois tipos de pais que são prejudiciais para uma criança: os autoritários, que tendem a não deixar muito espaço para o filho desenvolver capacidades, como percepção e sensibilidade; e os permissivos demais, que dão a liberdade que as crianças não sabem usar", explica.

Um método indicado é a leitura de histórias infantis. "A criança entra em contato com uma história, personagens, enredos que têm todo ripo de realidade, situação, diferença; e tem começo, meio e fim. Tudo isso constrói na criança a capacidade de resiliência. E a empatia é uma característica muito importante em quem é resiliente", afirma.

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Lidar com as emoções é um aprendizado que muito se faz sozinho, por isso a psicóloga especialista emocional da SBIE (Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional), Helena Campos, fala sobre a importância de aprender a lidar com elas até na fase adulta. "Nós não aprendemos a lidar com as emoções, elas não são ruins, ajudam a sermos quem nós somos", afirma.

Nessa questão é importante saber quem são os responsáveis por questões que comumente se joga no outro. "A sociedade está doente porque a gente está sempre colocando nossas culpas do que não deu certo no outro. Através da autorresponsabilidade na minha vida eu consigo criar para exercer melhor ainda empatia. Porque se eu percebo em mim, percebo no outro", indica.

Olhar para si para poder compreender o que a sua ação pode impactar no outro. Essa observação é uma ferramenta apontada por Campos. "Refletir suas ações, o impacto dela na sua vida e na vida do outro. Nós temos impulsos, ações involuntárias que quando percebemos, pedimos perdão por entender que a intenção não foi ferir o outro, mas como o outro se sentiu em relação à sua ação. Quando percebo isso, posso mudar", ensina.

De acordo com Xavier, na fase adulta também é possível desenvolver a habilidade da empatia através das experiências, situações de vida e crises. "Se a gente tem o mínimo de sensibilidade, percepção do outro, a gente consegue ter aproveitamento dessas crises e assim desenvolve a capacidade de empatia para ajudar o outro", ensina. A capacidade de imaginar, fantasiar, simbolizar um outro universo também pode contribuir e é uma característica de quem ajuda a pessoa em um momento de necessidade a partir da própria sensação. (L.T.)

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