Frente a situações inesperadas, cada pessoa reage de uma maneira. Há quem congele e não consiga ter nenhuma reação, há quem mantenha a cabeça fria e consiga raciocinar sobre a melhor forma de enfrentar a questão e há aqueles que têm uma reação completamente inesperada e inadequada. A maneira como cada um reage vai depender muito do aprendizado que teve desde criança.

Segundo o psicólogo Ocimar Aparecido Dacome, da unidade de Psicologia Aplicada da UEM (Universidade Estadual de Maringá), existem reações que são inatas e têm respostas instintivas: ataque e fuga. Essas respostas são usadas para salvaguardar a vida e quase todos os seres vivos têm essa programação.

“No ser humano isso não é tão bom, respondemos mais baseados em nossas experiências. Algumas situações as pessoas já esperam que possam passar por elas, como perder o emprego – basta observar o mercado -, e para isso podem se preparar, economizando, adaptando sua rotina. Mas há aqueles que não têm estrutura para isso. Há profissões em que as pessoas são preparadas para lidar com o inesperado, como médicos e bombeiros. Eles não sabem exatamente qual será a situação, mas irão usar os recursos que têm para resolver. Para isso foram preparados e tiveram treinamento anterior”, explica o especialista.

Já as pessoas comuns poderão congelar ou fugir frente às mesmas situações, pois usarão sua programação primitiva. “Em um assalto, por exemplo, deveríamos estar preparados para saber como agir, o que irá evitar que se entre em pânico, porém, algumas pessoas não dão conta disso: ou elas reprimem esses sentimentos ou saem com tudo. Por exemplo, durante o assalto a pessoa pode reprimir suas respostas emocionais inadequadas como medo, pânico e raiva e depois que a situação passar, ela irá chorar, gritar.”

Em algumas profissões o chamado “sangue frio” para lidar com os imprevistos é muito importante e até fundamental, como para quem trabalha com o mercado de ações. Quem sabe lidar com as oscilações e esperar o melhor momento, lucra mais.

Segundo Dacome, a capacidade de não entrar em pânico e conseguir conter e reprimir as emoções depende da história de vida. Quem tem pais muito ansiosos pode ter mais problemas. Já quem presencia os pais agindo e resolvendo as situações aprende que por pior que seja a situação, sempre há uma saída. “Quanto mais inseguro, maior a chance de ter uma atitude improdutiva. Quando você tem um filho, depende de você ter um ambiente seguro (emocionalmente)”, finaliza.

mockup