Aprendendo a gastar e poupar
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sábado, 24 de novembro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Ensinar desde cedo o valor do dinheiro às crianças pode garantir adultos mais conscientes e menos endividados. Nesse momento a escola pode ter um papel fundamental, já que muitos pais também têm dificuldades em administrar seu orçamento.
Em Londrina, a rede municipal de ensino conta há três anos com uma parceria com o Sebrae, através do Projeto Jepp (Jovens Empreendedores Primeiros Passos). A Escola Municipal "Nair Auzi Cordeiro", na zona norte, é uma das participantes e no início deste mês realizou uma feira com produtos produzidos pelos alunos. Ao invés de usar reais, os alunos optaram por criar sua própria moeda, que era trocada por alimentos e produtos de higiene que foram doados ao HCL (Hospital do Câncer de Londrina).
As professoras Adriana Paula dos Santos Silva e Tânia Regina Caldini são as responsáveis pelo projeto, que é realizado com alunos do primeiro ao quinto ano do Ensino Fundamental. Em cada série há um livro guia com o tema a ser trabalhado, como "O mundo das ervas aromáticas"; para o 1º ano; "Temperos naturais", para o 2º; e "Oficina de brinquedos ecológicos", para o 3º.
"Optamos por não trabalhar com dinheiro em espécie e para a feira os próprios alunos do 4º ano sugeriram o escambo, tema trabalhado nas aulas de história. Eles mesmos sugeriram fazer doações para o HCL. Verificamos quais os itens necessários, como leite integral, bolacha de maisena ou água e sal, chás e aparelhos de barbear. No dia da feira eles trouxeram esses produtos, que eram trocados por um dinheiro fictício fabricado por eles. Cada produto trazido tinha um valor de troca diferente. Com esse dinheiro eles compraram os produtos que haviam feito", explica Silva.
De acordo com o tema trabalhado, as turmas produziram sachês aromáticos, sabão líquido, desinfetantes, vasinhos com temperos naturais, enfeites para casa com material reciclado, porta-lápis, pipoca, docinhos, chás e geladinhos. Também produziram um espetáculo teatral e uma balada, com direito a DJ e iluminação especial, já que uma das turmas deveria produzir serviços.
"O pai de um dos alunos é DJ e se ofereceu para tocar para as crianças. Ele trouxe todos os equipamentos e cada ingresso dava direito a dez minutos na balada, que fez um sucesso enorme entre as crianças", conta Caldini.
Segundo Silva, durante as atividades os alunos discutiram sobre o preço dos produtos, se eles poderiam custar mais barato, como calcular o valor do custo e da venda, entre outros. "A turma que fez docinhos queria usar creme de avelã e morango e discutimos que deveríamos usar produtos menos caros. A questão do dinheiro foi trabalhada antes, durante e depois das atividades", diz.
Todo o material para a confecção dos itens vendidos também foi doado pela família, que, segundo as professoras, aprovaram o trabalho. Muitos inclusive deram sugestões para a próxima feira. Embora o projeto já seja desenvolvido há três anos, essa foi a primeira vez que a feira funcionou desta maneira, com os pais também podendo comprar os produtos. No total foram doadas 241 caixas de leite, 102 caixas de chá, 163 pacotes de bolacha, 18 pacotes de gelatina, entre outros itens, já que muitos pais deixaram para comprar os produtos para troca na hora e para isso recorreram ao mercadinho do bairro, que ficou sem estoque de alguns produtos. Com isso, as professoras passaram a aceitar outros itens para que pudessem participar.
Aluno do 5º ano, Matheus Felício, 10, conta que aprendeu a trabalhar com o dinheiro graças ao projeto e a uma tia, que trabalha com educação financeira. "No final do ano eu ganho um presente em dinheiro. Uso metade do valor e guardo a outra metade porque quero comprar um computador", conta.


