"Às vezes eu a chamo para olhar as estrelas e outras é ela quem me chama para ir ver a lua", diz Miguel Fernando Moreno, pai de Nicolly, 5. Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada
"Às vezes eu a chamo para olhar as estrelas e outras é ela quem me chama para ir ver a lua", diz Miguel Fernando Moreno, pai de Nicolly, 5. Veja vídeo utilizando a tecnologia de Realidade Aumentada | Foto: Gustavo Carneiro



Foi ainda criança que o advogado Miguel Fernando Moreno se apaixonou pelos astros. Ele conta que tinha 8 anos e na época uma marca de chocolates trazia cartões sobre viagens espaciais junto com o doce. "Uma colega tinha o álbum, meus pais fizeram fotocópias para mim e eu ficava olhando aquelas imagens. Depois prestei vestibular para Física, mas o curso era integral e acabei tendo que parar", conta.



A paixão, entretanto, falou mais alto e seu trabalho de conclusão de curso acabou sendo sobre Direito Aeroespacial. Hoje, além de ministrar aulas sobre Direito Aeronáutico ele também é o coordenador do Gedal (Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina).

Casado com a empresária Lislayne Maciel de Gois e pai de duas meninas – Nicolly, 5, e Stella, 5 meses, Moreno incentiva desde cedo a mais velha a observar o céu. "Ela já nasceu nesse meio. O ensaio de gestante da minha esposa foi diferente, além das fotos tradicionais com as roupinhas, também fizemos algumas com bonecos de astronautas, simulando a chegada deles na lua, que no caso era a barriga. Fizemos também outras simulando um anel de diamante, uma situação que ocorre durante o eclipse solar, quando a lua encobre todo o sol e fica apenas um anel em volta", afirma.

Mesmo pequena, Nicolly já tem seu próprio telescópio, simples ainda segundo o pai, mas que já permite que ela faça suas observações. "Às vezes eu a chamo para olhar as estrelas e outras é ela quem me chama para ir ver a lua. Desde cedo fui ensinando os nomes dos planetas e estrelas. Quando fazemos observações na Praça Nishinomiya ela gosta de ir também", afirma ele. A caçula Stella ainda é muito pequena para apreciar os astros, mas a contar pelo nome, cujo significado é estrela em latim, deve crescer tão apaixonada quanto a irmã.

Gedal
O grupo surgiu em 1999 e reúne pessoas de todas as idades e profissões, segundo Moreno. Ele conta que em média 40 integrantes se encontram regularmente para observar e estudar o céu, mas que nas redes sociais há em torno de seis mil interessados.

"O Gedal funciona em parceria com o Observatório Astronômico da UEL, que fornece os equipamentos para observação. Nosso objetivo é divulgar a astronomia porque antes não havia a internet e tínhamos a intenção de passar informação de qualidade. Não é preciso ser um estudioso para participar do grupo. A astronomia fascina todo mundo. Muitos vão em uma das observações públicas que promovemos na Praça Nishinomiya ou no Limoeiro, depois vão em outra, depois em outra e por fim acaba ficando habitual. Outros vão apenas vez ou outra. Tem quem tenha uma luneta ou telescópio e não saiba usar. Aí leva, nós ensinamos a montar, a usar e de repente, quando ele vê está ajudando outras pessoas a observarem o céu."

Esporadicamente o Gedal promove cursos mais avançados na UEL, para quem tem uma base de conhecimento sobre o assunto. Outros são abertos a toda comunidade. Há também encontros mais reservados de observação dos astros. Moreno explica que em geral as sessões abertas, realizadas na praça, são para observação da lua crescente e lua cheia, ou de algum planeta que se torna visível em determinadas épocas.

"As pessoas se encantam com os anéis de Saturno e as luas de Júpiter. Muitos perguntam se o homem realmente chegou na Lua e não raramente misturam ufologia, astrologia e astronomia. Por isso costumamos dar pequenas palestras antes das observações, montamos telões, passamos imagens, conversamos com as pessoas", aponta ele.

Já no Limoeiro o grupo consegue observar galáxias e nebulosas, nas noites sem lua. Essas ocasiões são restritas já que, por serem imagens menos precisas e que demandam mais tempo para observação, não são compatíveis com o público que comparece em outras ocasiões. "São imagens mais 'fracas', distantes. As pessoas podem se frustrar porque veem imagens em livros e sites e não sabem que elas foram feitas com telescópios muito potentes e demoraram muito tempo para serem produzidas. Eu comparo a um show: ver seu artista ao vivo tem outra emoção, mas provavelmente a imagem será muito inferior comparado a assistir do seu sofá."

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