'Amizade é mais flexível que uma relação amorosa'
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sábado, 27 de outubro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Escolhidos por nós ou nos presenteados pela vida, os amigos são aquelas pessoas que estão sempre presentes, mesmo que não fisicamente. Podem nos acompanhar desde os primeiros passos, terem surgido entre os colegas de trabalho ou ainda em uma balada qualquer. O fato é que ter amigos nos faz muito bem, seja física ou psicologicamente.
Denise Tinoco, doutora em Psicologia Clínica, coordenadora do curso de Psicologia da UniFil, docente e psicoterapeuta, explica que para quem está doente ter amigos melhora muito o sistema imunológico e pode evitar outras doenças oportunistas, por exemplo, para quem faz tratamento contra o câncer.
"E o que é um amigo? É a pessoa com quem você vai se relacionar e você não tem medo do julgamento do outro, você pode ser você mesmo, não tem que ser tudo igual, você sabe que é aceito. Amizade é algo muito mais flexível que uma relação amorosa, que tem a questão de ciúme. Pode haver amor na amizade, mas é um outro tipo, é algo mais sublimado. Amizade você pode passar tempos sem ver a pessoa e quando reencontra está tudo bem, tudo do mesmo jeito, parece que vocês se viram no dia anterior", descreve.
No caso das pessoas que têm depressão, ela alerta que há mais dificuldades para que ela faça amigos, já que passa a achar que ninguém vai gostar dela, por ser alguém "chato". "É interessante fazer psicoterapia, fazer atividades físicas que irão liberar mais endorfina, serotonina e aí sim ela vai ter mais probabilidade de se abrir mais com outras pessoas. Ela pode precisar também de um atendimento psiquiátrico para poder equilibrar os neurotransmissores que estão desequilibrados." A psicóloga alerta entretanto, que ter amigos não substitui tratamentos médicos e psicoterápicos.
INFLUÊNCIA
Seja para um novo emprego, um curso de capacitação ou um relacionamento, os amigos estão sempre dispostos a aconselhar e nos incentivar. Essa relação, entretanto, não deve ser de dominação de um amigo sobre o outro. De acordo com Tinoco, quando uma pessoa se sobrepõe à outra, a relação passa a ser considerada doentia.
"Se a pessoa tem medo de se colocar para o outro porque vai ser julgado, isso já é uma relação abusiva. Se ela é uma pessoa que não consegue se colocar dentro da família, que quer fazer tudo certinho, ela vai se comportar assim com os amigos, não vai ter uma relação saudável, vai ter uma relação onde ela se coloca como menos e o outro como mais. Ou ela vai estar em uma relação invertida, onde ela se coloca como mais, como sabe tudo, ela vai buscar amigos submissos. Isso não é uma relação saudável de amizade. A pessoa não está espontânea, ela não pode fazer as escolhas dela. Você pode até aconselhar, mas a pessoa tem o direito de ter a escolha dela, se ela faz para te agradar, ela precisa fazer psicoterapia", alerta.
Já o número de amigos vai depender muito da personalidade de cada um e isso não é um problema. Há quem tenha mais amigos, porém algumas dessas amizades podem ser mais superficiais; e outros podem ter menos amigos, mas amizades mais profundas. "Se a pessoa não se incomoda em ter poucos amigos, não tem problema. O que preocupa é quando a pessoa não tem amigos, quando é isolada, muitas vezes entram alguns problemas patológicos, mas mesmo assim ela precisa querer fazer tratamento, psicoterapia, se isso está incomodando", finaliza.


