Férias de julho, escolas fechadas, pesadelo dos pais. Nem todos podem tirar folga nesse período e o dilema passa a ser com quem deixar as crianças. Como nem todos têm a casa dos avós como opção, apelar aos amigos pode ser a solução.

Valter Prado, psicanalista, e Dannielle Gasparino do Prado recorrem a um casal de amigos para dividir os cuidados com Malu, 8
Valter Prado, psicanalista, e Dannielle Gasparino do Prado recorrem a um casal de amigos para dividir os cuidados com Malu, 8 | Foto: Arquivo Pessoal

O casal Valter Prado, psicanalista, e Dannielle Gasparino do Prado recorre a um casal de amigos para ficar com Malu, 8. Prado conta que ele e a esposa organizam suas atividades para que no dia a dia possam se revezar nos cuidados, mas quando necessário, usam sua rede de apoio.

“Moramos perto desse casal, nossa filha estuda com a filha deles, então temos esse combinado. O curioso é que já éramos amigos, mas acabamos nos aproximando mais por causa das meninas estudarem juntas. Acho que o fato de termos gostos e ideias parecidas colaborou para isso. Quando necessário eles cuidam dela ou nós cuidamos dos filhos deles”, explica.

Prado diz que tem outros casais de amigos que também ajudam, mas recorrem mais aos amigos/vizinhos. “Às vezes as próprias meninas pedem para pernoitar uma na casa da outra. Elas começaram a estudar juntas aos três anos de idade e algumas vezes querem fazer alguma coisa só elas. Nós também nos ajudamos não só nas situações mais sérias, mas até quando queremos aquele 'vale nigth', um momento só para o casal”, diz o psicanalista.

Ele destaca que muitos compromissos assumidos pelo casal não seriam possíveis se não fossem os amigos. “O contrário acredito que também é verdadeiro. Não é uma relação de uso, é uma relação de troca”, destaca.

ALÉM DAS FÉRIAS

Assim como para o casal Prado, na casa da psicóloga Gabriela Melo e do bancário Pedro Zamorano as atividades de ambos são planejadas para atender o filho João Eduardo, de oito meses. O casal optou por não colocá-lo tão cedo no berçário e ao voltar de licença-maternidade, três meses após a chegada do filho, Melo organizou seus atendimentos no consultório em função da rotina do bebê.

A psicóloga Gabriela Melo e o bancário Pedro Zamorano planejam as atividades profissionais para atender João Eduardo, de oito meses
A psicóloga Gabriela Melo e o bancário Pedro Zamorano planejam as atividades profissionais para atender João Eduardo, de oito meses | Foto: Arquivo Pessoal

“No início eu atendi poucos pacientes, apenas à noite. Atendia após às 18 horas, duas pessoas apenas. Depois comecei a atender à tarde e organizo meus horários de acordo com o meu marido e a minha mãe. Duas tardes por semana ela fica com o João Eduardo. No fim da tarde ela leva-o no consultório e meu marido pega à noitinha. Aos sábados eu atendo o dia todo”, explica, destacando que as manhãs são todas dedicadas ao bebê durante a semana.

Quando completar nove meses João deve ir para o berçário meio período e um dos critérios de escolha foi uma escola que não tenha recesso no mês de julho. “Isso é muito importante para nós. Emocionalmente, avaliei que ele estaria mais preparado para ir para a escola aos nove meses. Após um ano iremos avaliar se ele irá todo o período”, diz.

Ela destaca que ter uma rede de apoio é muito importante e faz a diferença em uma época que as mulheres desenvolvem múltiplos papéis. “Além do meu marido e da minha mãe também tenho o apoio da minha irmã. Ela tem três filhos e cuido dos meus sobrinhos quando ela precisa. Ela também já ficou com o João quando necessário. Antigamente, as mulheres ficavam em casa, hoje isso mudou. Eu amo trabalhar, estou me dedicando a mim também”, destaca.

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