Imagem ilustrativa da imagem A meta é sentir-se bem
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Para uns, um prazer. Para outros, uma tortura. Por que praticar esportes traz sensações tão contraditórias para cada indivíduo? De acordo com profissionais da área do esporte, qualquer pessoa pode encontrar prazer nas atividades físicas, a questão está na escolha da prática, que deve considerar fatores como personalidade e contexto social.

“Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde é definida por completo bem-estar físico, psicológico e sociocultural, mas essa definição de 'completo bem-estar' é muito determinista, por isso outros autores vêm defender que saúde é a pessoa viver e sentir o bem-estar razoavelmente, de acordo com a sua própria realidade, olhar o contexto para o qual ela está inserida”, explica Jorge Luis Ribeiro, psicólogo clínico e do esporte.

Para ele, qualquer pessoa pode exercer atividade com gosto e prazer, desde que bem orientada e dentro das escolhas corretas. “Quando se fala em prazer no esporte é fazer algo que, à priori, está ao nosso alcance e a gente tem um bom desempenho. Se a pessoa gosta, é porque está tendo bons resultados, o corpo aceita a carga e o tipo de esporte é adequado para ela”, defende. A união das características de personalidade e biológicas aos aspectos sociais levam as pessoas a terem mais resultados nas atividades. “É assim que se desenvolve atletas.”

Para encontrar o esporte adequado, o psicólogo orienta que os próprios praticantes definam suas escolhas e se apresentem às modalidades para descobrir com qual se encaixa ao momento. Argumento compartilhado por Donizete de Oliveira, professor de educação física, na UniFil e UEL (Universidade Estadual de Londrina). “Muitos profissionais começam de forma errada, sugerindo determinada atividade. Não é a melhor opção. A pessoa tem de começar com o exercício que tenha afinidade, por mais que a modalidade seja de alto impacto, pois ela vai começar lentamente, como uma recreação, e isso vai fazer bem psicológica e fisiologicamente”, defende.

Na anamnese, método de entrevista realizado pelo profissional de educação física, é possível identificar essas atividades, seja por gostar de acompanhar algum esporte nas mídias, por ter um grupo de amigos que pratique ou por uma característica pessoal, como histórico e identificação. “São fatores de adesão e aderência. A pessoa aderiu por indicação médica, mas a aderência para continuar depende da motivação interna dela, se não tiver isso, vai desistir”, explica. Buscar identificação de grupos que possuam limitações iguais ou parecidas pode ser alternativa para aqueles que não podem praticar qualquer modalidade, disso surgem grupos para hipertensos, diabéticos, gestantes para que eles se sintam mais acolhidos à prática.

COMO COMEÇAR?

De acordo com o psicólogo, o início do processo exige autoconhecimento para entender os motivos que mantêm a pessoa no sedentarismo mesmo sabendo os prejuízos. “A pessoa tem que buscar se auto-observar e fazer reflexão. Ela vai perceber que tem algo no aspecto emocional, como o estresse, que é um indício de que é preciso tomar decisão ou pelo menos se lançar ao desafio. Tem que ser do interior, outra pessoa não vai conseguir motivar”, explica.

Os dois profissionais apontaram que o começo é a fase mais difícil e exige uma dose de perseverança. “O corpo se acostuma. Do mesmo jeito que ele pede por descanso, vai pedir por atividade”, afirma Ribeiro. Para o educador físico, essa barreira é superada nos primeiros meses. “Leva de três a quatro meses para vencer a barreira inicial. É o tempo que se leva para começar a observar mudança de composição corporal, para o organismo de adaptar ao exercício e quando se vê efeito positivo”, ensina.

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