Fazer críticas sociais usando apenas um desenho, ou no máximo com poucas palavras. O desafio dos chargistas é diário já que é preciso dizer muito, em poucos traços e palavras, usando o humor e não sendo ofensivo. Colaborador da FOLHA desde 2004, o cartunista, ilustrador, tatuador e escritor Marco Jacobsen acredita que o politicamente correto nada mais é do que uma questão de ética, sem deixar de ser criativo. "É entender que há diferença entre fazer humor e ofender. Vamos fazer humor sendo racistas? É lógico que conseguimos trabalhar, fazer humor sendo ético, respeitando credo e raça", atesta.

Ele afirma que ainda se surpreende com determinadas situações, como espetáculos de stand up onde o humorista se permite fazer determinadas piadas porque ele se encaixa no perfil do que está sendo ironizado.

"Eu estava em um espetáculo onde um rapaz negro fazia piadas sobre negros. Fiquei chocado de as pessoas rirem disso. Ouvir uma piada de 1980 e continuar achando graça? Os Trapalhões faziam isso, o Didi chamava o Mussum de várias coisas, mas a gente precisa evoluir. Sou plenamente a favor do politicamente correto, não tolhe a minha criatividade. Você pode usar o humor para criticar o racista, por exemplo, pode representá-lo com um cérebro pequeno, é uma forma gráfica de fazermos isso."

Jacobsen conta que já fez alguns cartuns para uma revista feminina anos atrás, quando não estava atento a alguns esteriótipos sexistas. "Hoje eu não faria aquilo. É claro que se alguém (anteriormente) criticasse eu faria um pedido de desculpas, mas hoje eu não desenharia daquela maneira", diz, acrescentando que em seus cartuns e charges não há interferência dos editores, sendo sempre desenhos autorais.

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