Para saber o que está "bombando" no momento só é preciso uma breve visita às redes sociais. As séries mais legais do momento, as gírias, os produtos, está tudo lá, na forma de comentários, avaliações e... memes! E os publicitários não perdem tempo em associar a imagem das empresas com os memes virais.

José Maurício Conrado, professor dos cursos de Publicidade e Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a publicidade é uma atividade que está antenada às mudanças culturais. "Nem sempre ela dita moda, ela tem uma parte importante nesse meio mas não só. As redes sociais transformaram a forma com que nos comunicamos. Hoje as mensagens são mais curtas e mais claras. Os emojis são muito usados, trazem velocidade para a comunicação e com o meme é o mesmo, acontece muito rápido. O meme é a interpretação da realidade, é um parente próximo da charge e da tirinha. A publicidade ajuda a criar algo mas ela também se apropria, como aconteceu na Copa do Mundo", explica.

De acordo com o professor, o anúncio não tem a intenção de ser um meme, mas tem características de meme quando usa do humor, por exemplo. "O meme acaba contaminando a publicidade com o humor, como na campanha do Dia dos Pais do O Boticário. Ou a campanha da Brastemp, que mostra uma coleção de memes", exemplifica.

SOCIAL MEDIA
Para não perder nada do que acontece nas redes e também se relacionar com os internautas, a equipe de social media é fundamental. Conrado explica que nas grandes empresas são em média entre dez e 15 profissionais, que precisam saber o tempo todo o que acontece no mundo virtual. E esse conhecimento deve ir muito além do seu público consumidor.

Em um episódio de umas das mais aclamadas séries da atualidade, Game of Thrones, um dos personagens é comido por seus cachorros. Logo apareceu um internauta questionando uma marca de ração animal (Pedigree) se haveria um lançamento de ração para cães no sabor de mesmo nome do personagem. A empresa rapidamente respondeu de acordo com o universo da série e ainda usou uma frase emblemática para alguns personagens.

"O social media ganhou importância e virou uma peça crucial. Os alunos querem ser social media. Eles precisam rastrear as redes e estar antenados com o que acontece, com o que vai rolar e com o que pode virar um meme. Ele precisa ser um astronauta para andar nesse universo", diz Conrado.

HASHTAGS
Dentro do universo virtual, as hashtags (#) se tornaram uma forma de rapidamente marcar empresas e disseminar ideias e o social media também precisa estar preparado para responder a elas. Está se tornando cada vez mais comum o consumidor marcar duas ou mais empresas, promovendo um duelo virtual sobre algo. "As redes são um campo de batalha e as hashtags são símbolos de ordem dentro desse universo. O social media tem que ter boa percepção e isso exige um bom repertório, a pessoa precisa entender o universo pop. As redes geram visibilidade e responder a esses internautas vai ser uma estratégia de campanha."

Há empresas que antes de lançar um novo produto se utilizam de um anúncio polêmico justamente para chamar a atenção sobre si. Na Páscoa, por exemplo, a Bauducco pediu aos seguidores do Facebook que avaliassem o lançamento de uma colomba pascal com 200% a mais de uva passa, conhecida por dividir famílias entre aqueles que amam e os que odeiam o ingrediente. Todos os comentários foram respondidos de forma bem-humorada pela equipe de social media. No final, os internautas foram surpreendidos com o lançamento de um outro produto, com chocolate. "A Bauducco conseguiu atrair a atenção para si. Isso é uma tendência, cada vez mais termos a participação do usuário e do 'faça você mesmo'. As empresas devem escutar e entender o consumidor", recomenda o especialista.

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