A febre do TikTok invadiu a internet

Aplicativo que começou como febre entre crianças e adolescentes caiu no gosto dos adultos

Marcos Martins - Especial para a FOLHA
Marcos Martins - Especial para a FOLHA

No final do ano passado, de uma hora para outra, um aplicativo ganhou destaque nas lojas virtuais Apple e Play Store. Criado na China pela empresa ByteDance, o TikTok conquistou a geração Z — 41% dos usuários têm entre 16 e 24 anos — desbancando os populares Facebook e Instagram e ocupando a liderança de downloads. Ele entrou no mercado brasileiro em agosto de 2018 e está atualmente disponível em 150 mercados e em 75 idiomas. O funcionamento é simples: os usuários gravam vídeos com duração de até 15 segundos e podem escolher entre um banco de dados de músicas e efeitos visuais ou sonoros. 


 



A febre do TikTok invadiu a internet
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A colaboração também é um incentivo – é possível fazer um “dueto” com outra pessoa respondendo ao vídeo, formando uma tela dividida, o que gera uma cadeia interminável de reações. Os usuários também podem fazer upload de sons próprios para sincronizar a dublagem com o vídeo original de outra pessoa. Há ainda os desafios promocionais, lançados pela própria plataforma, e os criados pelos usuários, que sugerem coreografias ou ações inusitadas, geralmente voltadas para o humor.  

 

“Para fazer sucesso, ou ‘hitar’, no TikTok é preciso praticar bastante, para dominar as técnicas, e ter criatividade. Por isso os vídeos que mais bombam são engraçados e até dão trabalho para fazer, mas também são os que ganham maior engajamento, criando as celebridades da plataforma”, explica o estudante Carlos Eduardo Barbosa, de 15 anos, usuário desde 2018. “Um amigo do colégio tinha baixado, começou a usar, aí todo mundo da sala também baixou, ninguém queria ficar de fora”, recorda. Para ele, a “competição” entre os amigos torna o TikTok empolgante. “Você cria algo legal, aí os amigos querem superar e vão criando também, ninguém quer ‘flopar’. É divertido e até vicia um pouco”, brinca. 



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O impulso das celebridades também ajudou. Nomes como Jimmy Fallon, apresentador do "The Tonight Show", nos Estados Unidos, e a cantora Ludmilla, aqui no Brasil, deram uma força para aumentar a visibilidade da rede social. Também estão por lá Whindersson Nunes, Ivete Sangalo e Caio Castro, entre outros. As parcerias, aliás, têm sido decisivas na estratégia de expansão. O aplicativo usa celebridades e influenciadores para movimentar a plataforma e gerar conteúdo viral, não só no TikTok, mas também promovendo o produto em redes concorrentes, como o Instagram e Facebook. E foi a partir daí que o aplicativo rompeu a bolha da Geração Z e conquistou os baby boomers e a Geração X, também. “Vi uma amiga compartilhando nos stories do Instagram, achei legal e fiquei curiosa. Quando percebi estava fazendo pelo menos um vídeo por dia”, conta a arquiteta Andrea Moraes, de 32 anos.  


 

Mas a novidade não ficou restrita a ela e às amigas. A mãe, de 59 anos, também se empolgou e entrou na onda. “Eu adoro música e bom humor, aí falei: por que não? É engraçado assistir as coisas que aparecem por lá e, de vez em quando, arrisco alguma criação própria”, diverte-se a psicóloga Maria Rita Moraes. E, graças ao uso de inteligência artificial, as recomendações são bastante personalizadas. Com isso, fica fácil acessar conteúdos ecléticos disponíveis, como dicas de decoração, arquitetura, gastronomia e jardinagem. “É legal ver o que uma pessoa do outro lado do mundo está fazendo nesse período de distanciamento social, com a gente mais em casa, com mais tempo livre. Já usei algumas ideias que vi ali na organização dos meus livros e também com as plantas. Além de me deixar mais próxima da minha filha, é também uma fonte de inspiração”, revela Maria Rita. 



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Quem também se diverte no TikTok — e faz sucesso por lá — é uma moradora de Mandaguari, cidade próxima a Maringá. Rosalina Aguiar, de 58 anos, faz dublagens, apresenta looks do dia, mostra momentos de faxina com o marido e lê trechos da Bíblia. São 480 mil seguidores e mais de 6 milhões de curtidas nos vídeos, até agora. Já a alagoana Maria Cícera de Jesus, que vive no Rio de Janeiro, aposta nas dublagens de músicas religiosas, interação com os mais jovens e desafios com as amigas. Direta, deixa uma mensagem clara na descrição do perfil: “sou animada, se não gosta dos vídeos, pode sair daqui”. O apresentador Celso Portiolli, de 52 anos, entrou na plataforma influenciado pelos filhos, mas se adaptou sem problemas e diverte os fãs com dublagens e interações com outros artistas, como a apresentadora e atriz Maísa.  


 

E de que forma Maria Rita avalia, como psicóloga, o sucesso repentino do aplicativo fora da Geração Z?



Segundo ela, a pandemia do novo coronavírus pode ser um dos fatores — no final de março, o TikTok bateu mais de 1 bilhão de instalações apenas na loja do Android. “Provavelmente o isolamento ajudou. Você sozinho em casa, com a mobilidade restrita, sem poder se divertir ou ter a rotina que tinha antes, locais de lazer fechados, geralmente busca válvulas de escape para não ficar entediado e também para não se sentir deprimido, desanimado, triste com esse turbilhão de notícias ruins que recebemos diariamente. E, por experiência própria, eu sinto ali no aplicativo, naqueles conteúdos, uma sensação de normalidade. Por alguns momentos você esquece toda a tensão que estamos passando, se distrai, dá risada, interage com seus amigos mesmo estando longe. Então acredito que sejam três vias complementares: a situação atual nossa, a leveza dos conteúdos e a facilidade de usar. Porque se eu consegui, acho que qualquer um consegue, né”, responde às gargalhadas. 




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A filha concorda. “Fui até contar agora quantos vídeos eu tinha antes dessa pandemia e quantos fiz desde março. Eram 34 até então, em menos de um ano, e depois foram mais  40, só nesse período. Então acredito que isso explique um pouco esse sucesso, porque minhas amigas também produziram bastante nas últimas semanas”, analisa. E, se depender da plataforma, o sucesso será ainda maior. "Estamos empolgados com as oportunidades potenciais que temos pela frente no Brasil para 2020. Atualmente, estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos criadores e parceiros para criar uma comunidade divertida, positiva e abrangente, proporcionando aos usuários a melhor experiência de aplicativo", afirma Rodrigo Barbosa, community manager do TikTok no país. Portanto, prepare-se. Se a onda ‘tiktokeana’ ainda não o atingiu, pode ser questão de tempo. Já vá pensando em cenas divertidas e boas dublagens de 15 segundos, para ‘hitar’. Quem sabe você não será a próxima celebridade do aplicativo? 



 

DICIONÁRIO DO TIKTOK 

 

É novo no aplicativo? Fique por dentro das hashtags e expressões, para hitar e não flopar! 

 

Hitar/flopar 


"Hitar" significa fazer sucesso e "flopar" quer dizer o contrário: fracassar. Quando um vídeo não viraliza e recebe poucas visualizações, likes e comentários, que dizer que ele flopou. 

 

#FY ou #FYP 


A página "For You"  reúne, por meio de algoritmos, clipes que você supostamente gostará de assistir. Na tentativa de promover posts nessa aba, usuários usam as hashtags #FY ou #FYP na legenda do post. Os termos referem-se a for you e for your page (em português: “para você”, “para a sua página”).  

 

#POV 


Sigla para "point of view", "ponto de vista” em português. Têm como objetivo fazer com que o espectador seja parte do conteúdo, de forma que ele seja colocado como personagem do vídeo. 

 

#IB  


Abreviação de "inspired by", “inspirado em”, em português. O termo é usado para dar crédito a um perfil quando você resolve reproduzir um vídeo similar ou parecido com o dele. O objetivo é deixar clara a origem da ideia mencionando o outro perfil, de modo que as pessoas possam acessá-lo. 

 


Assinale abaixo as redes sociais das quais você já participou:



A febre do TikTok invadiu a internet
Folha Arte
 


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