A estética deve ser uma escolha, não um dever
Corresponder aos padrões estéticos não é algo fácil ou acessível para a maioria das pessoas. Embora muitos tenham um biotipo que favoreça estar dentro dessas medidas, para todos os outros é necessário muito esforço e dedicação. Em busca dessa beleza muitas pessoas acabam por se tornar doentes. Nas redes sociais há diversos sites que incentivam anorexia e bulimia, sem contar as incontáveis dietas milagrosas que são acima de tudo um risco à saúde.
A criação do Movimento de Imagem Corporal, portanto, seria algo inevitável, segundo Joana Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC-Rio e professora da Universidade Veiga Gama. "Quando percebemos um paradoxo: um discurso lipofóbico ao mesmo tempo em que o número de pessoas gordas aumenta, se cria um movimento mundial. Se você aperta muito de um lado, surgem esses movimentos. O movimento é uma conquista, embora ainda não tenhamos pessoas indo ao Congresso e tentando fazer leis para evitar o bulling. Ainda não é uma pauta política, mas espero chegarmos nesse ponto, como em outros países, em que as pessoas vão para escolas falar sobre esse discurso de intolerância. Nesse sentido ainda estamos engatinhando", diz.
Nos dias 24 e 25 de agosto a PUC-RJ promoveu o I Simpósio Internacional de Corpo, Imagem e Tecnologia e, segundo Novaes, uma das grandes pautas foi o uso da educação aliada à tecnologia para a disseminação de ideias. "A educação aliada à tecnologia terá uma penetração muito maior. Quando você usa os youtubers, os professores condensando essas falas para ter uma linguagem mais acessível, tudo isso gera mais impacto. As pessoas disseminam, compartilham suas dietas, nesse sentido as práticas de resistência vão ganhar mais seguidores através das redes."
No seu dia a dia de atendimentos ela conta já ter percebido uma mudança de visão das garotas mais novas, na faixa etária entre 14 e 25 anos, porém, nas mulheres acima de 30 anos, ainda não. "As mais novas têm mais possibilidades estéticas, como não depilar as axilas, pintar os cabelos de azul. O corpo entra como uma plataforma de reivindicações. Vejo isso muito em escolas, entre as adolescentes, algo que é próprio da idade. As mais novas têm quase aversão à forma de enquadramento, enquanto as de 30 têm a marca geracional. Mesmo com o paradoxo do cyberbulling nas escolas, as mais jovens têm mais essa liberdade. A releitura do movimento feminista traz isso, mas não é algo à toa, é pelo cenário político e cultural", aponta ela.
Novaes chama atenção quanto às críticas ao corpo do outro. "Cuidado porque essa crítica pode ter um efeito nefasto. As pessoas têm o direito de ter a estética que mais lhes dá prazer. A estética deve ser uma escolha, não um dever." (E.G)





