Imagem ilustrativa da imagem A cidade mais rápida do mundo
| Foto: Rep. do livro Londrina a toda velocidade
A primeira corrida profissional realizada em Londrina, na década de 1950, recebeu o nome de João Milanez, em homenagem ao fundador da Folha de Londrina


Quando escreveu o livro "Londrina a toda velocidade", que celebrou, em 2012, os 20 anos da tradicional prova "500 Milhas Londrina", o jornalista Bernardo Pellegrini se surpreendeu com o tanto de história contida entre a chegada dos primeiros carros à cidade e a consolidação do município como polo regional do automobilismo, concretizado a partir da construção do Autódromo Internacional Ayrton Senna. "Foi um processo de decifrar essa paixão do londrinense por carros", conta.
O livro tem coautoria de Maurício Arruda Mendonça e Rodolfo Ribeiro e foi escrito a pedido de Aloysio Moreira, um dos organizadores da 500 Milhas Londrina. Para o jornalista, é o retrato de uma cidade que cresceu a uma velocidade inimaginável em outras partes do planeta. "É a cidade mais rápida do mundo", diz.
Foi neste contexto de riqueza e ousadia que, nos anos 50, o comprador de café Harry Prochet veio a Londrina em busca dos preciosos grãos e logo percebeu a complicada logística para escoamento da safra. De espírito empreendedor, ele comprou caminhões e fundou a Transparaná, que viria a ser a maior rede de concessionárias do País, com 34 lojas.

ENFRENTANDO A LAMA

Mas o imigrante Harry, que veio de Nova York, não se satisfez apenas com este negócio. Como ia sempre aos Estados Unidos, convenceu a Willys Overland a mandar jeeps para ele montar em Londrina, convicto de que os carros com tração nas quatro rodas eram ideais para enfrentar a lama do Norte do Paraná. Na terra roxa, consolidou a primeira montadora da Willys no Brasil.
Pellegrini conta que nos anos 60, quando imperava a máxima da modernização sintetizada do slogan "50 anos em 5" de Juscelino Kubitschek, surgiram os carros esportivos, que atendiam à demanda de um público urbano que buscava a emoção da velocidade. O ambiente era ideal para o crescente mercado de automóveis. "As montadoras passaram a investir em corridas para mostrar que a potência dos carros nacionais era tão boa quanto a dos importados", relata.
Motivado por esse espírito, o jovem Norman Prochet, filho do empreendedor Harry, fundou um departamento esportivo na Transparaná. As vias asfaltadas dos novos bairros da cidade se transformaram nas pistas perfeitas para os "rachas" que também remetiam ao estilo de viver perigosamente dos filmes de Marlon Brando e James Dean.

"LOUCOS POR CORRIDA"

A primeira corrida profissional realizada em Londrina recebeu o nome de João Milanez, em homenagem ao fundador da Folha de Londrina, que fazia a cobertura dos eventos que se desenrolavam nas ruas da cidade. Locais improváveis, hoje, como as ruas Santos, Paranaguá, Avenida do Café e até mesmo a JK, se transformavam em pistas para as provas de velocidade.
Em 1965, o italiano Ettore Onesti, conhecido como Beppe, foi contratado por Norman para trabalhar na primeira equipe profissional de Londrina, da qual também se tornou piloto. Chamada de Dragões Verdes, reuniu uma "rapaziada louca por corrida", como os londrinenses Betinho Monteiro, Nadinho Trindade, Edvaldo Viécili e Juca Adun.
Em 1967, na segunda edição da prova "Rodovia do Café", os Dragões Verdes sagraram-se campeões supremos, concretizando o sonho de Norman Prochet. Em dois anos, a equipe acumulou vitória em 12 provas, mas a grande aventura do automobilismo londrinense acabou de forma trágica, com o assassinato de Norman enquanto passava férias com a família no litoral.
Essa efervescência em torno das máquinas resultou, muitos anos depois, na construção do autódromo de Londrina, que colocou definitivamente a cidade no circuito do automobilismo nacional, inclusive através da realização das 500 Milhas Londrina, que completa 25 anos em 2017. "O Autódromo Internacional de Londrina foi inaugurado em 1992, como realização do sonho de muitas gerações", destaca Pellegrini.

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Em evento no Autódromo Internacional Ayrton Senna, na semana passada, desfile e exposição de carros antigos e customizados confirmam a devoção dos londrinenses pelos motores. Confira vídeo utilizando a tecnologia da Realidade Aumentada
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