Quantas selfies você tem nas suas redes sociais? Se desde os tempos mais remotos o ser humano não resistia em se ver retratado em pinturas, na era da tecnologia tirar fotos de si mesmo é uma verdadeira febre para muitas pessoas, que não economizam nas poses nem nos cenários e figurinos.

“A autoimagem é retratada pelo que os outros falam de nós. A criança vai vendo os sinais de como ela pode se enxergar, essa construção vai sendo feita a partir do outro e cada um de nós vai lidando com isso de forma mais fácil ou mais difícil”, explica Mari Ângela Calderari Oliveira, coordenadora adjunta do curso de psicologia da PUCPR.

Ela diz que mesmo quando pensamos em uma pintura, os retratos são feitos segundo a visão que o pintor tem de seu modelo. Na fotografia buscamos nos colocar como queremos que o outro nos veja.

“A fotografia é ilusória, ela pode projetar algo que não é real. A pessoa fica buscando uma imagem que é aquilo que o outro busca, não aquilo que ela busca. As pessoas buscam suprir as questões que o meio cria e podem acabar se frustrando.”

Trabalhando com pacientes que buscam a cirurgia bariátrica, ela conta que alguns pensam em fazer a cirurgia por conta do outro, para corresponder a uma imagem que a sociedade deseja e não por si própria. “Tenho pacientes que buscam porque querem um emprego e dizem que estando acima do peso não irão conseguir”, afirma.

Com a tecnologia e a facilidade por fazer muitas e muitas fotos, algo impensável na época dos filmes, ficou mais fácil buscar essa perfeição. Oliveira lembra ainda que os filtros e programas de edição de imagem fazem com que essa busca pela perfeição fique maior ainda. “Se a foto for ruim ela descarta e vai buscar o mais próximo da perfeição. A foto não é a realidade, ela é estática, é apenas um momento”, destaca.

SEM EXCESSOS

Trabalho para uns, hobby para outros, a fotografia é a forma de guardarmos em papel ou nos dispositivos eletrônicos bons momentos, seja em família, com amigos ou mesmo sozinho. As paisagens daquela viagem inesquecível, o crescimento do filho, o encontro com um parente distante, tudo pode ficar registrado. Só é preciso cuidado para não se exceder e perder o que acontece ao redor enquanto se olha o mundo por um visor.

“As pessoas têm gosto por registrar as coisas, mas é preciso ver se isso é um hobby ou se é porque não consigo lidar com meus conflitos”, diz a psicóloga.

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