Interpretar mocinhas é normal para Fernanda Vasconcellos. E a atriz sente-se confortável na função, que desempenha desde sua estreia na tevê, com protagonista da temporada 2005/2006 de ''Malhação''. ''Não sou do tipo pretensiosa, que quer fazer uma personagem para mudar a carreira. Vou batalhando por bons papéis e o que me importa é fazê-los da melhor forma'', conta. Atualmente, a dedicação de Fernanda para construir e diferenciar suas heroínas dramáticas pode ser vista em ''A Vida da Gente'', onde ela é a jovem tenista Ana. ''Quis fazer algo especial. O trabalho começou meses antes da estreia. Para entrar no universo da personagem, aprendi a jogar tênis. E para chegar ao ponto exato das emoções, senti a necessidade de voltar a estudar interpretação'', enumera a atriz.
Em sua quinta novela na Globo, a paulistana de rosto angelical e olhos verdes sente-se mais segura e preparada para a tevê, bem diferente da menina que saiu da casa dos pais aos 20 anos, para tentar uma vaga no disputado mercado de atrizes jovens e bonitas que querem atuar na emissora. Acumulando papéis de destaques ao longo da carreira, como a Nanda, de ''Páginas da Vida'', e a Laura, de ''Desejo Proibido'', Fernanda acredita que a oportunidade de interpretar Ana surgiu no momento ideal. ''Não tinha estofo para interpretar uma personagem tão trágica há alguns anos. A Ana é densa. Passa por muitas coisas tristes. Mas ganha uma segunda chance de viver e tentar ser feliz'', define.
Em ''Páginas da Vida'', de 2006, a Nanda também tinha problemas familiares e engravidava precocemente, dilemas parecidos com sua personagem em ''A Vida da Gente''. Como você ecanara as comparações entre Ana e Nanda?
Fico atenta às críticas, mas são duas personagens bem diferentes. Apenas passaram por situações parecidas. A Nanda era uma menina livre e a Ana está presa aos desejos da mãe. As duas tinham uma relação entre mãe e filha muito delicada. Mas, no caso da Ana, a Eva (Ana Beatriz Nogueira) exige que ela seja um troféu, uma coisa que não existe, uma máquina perfeita. E a gravidez atrapalha tudo isso e acaba de vez com a submissa relação entre mãe e filha.
Mais uma vez você interpreta a mocinha da história. Dar vida a tipos tão semelhantes a incomoda?
O público gosta de me ver sofrer, né? Acho que tenho cara de quem merece sofrer (risos). São tipos parecidos, mas todas as minhas personagens têm seus conflitos diferenciados. Cada um tem uma história, algumas mais felizes, outras nem tanto. Na verdade, não me incomodo com isso. As pessoas gostam de rotular o trabalho, mas acabo não vendo tantas semelhanças ao gravar.
A história da Ana é de superação. Principalmente depois que ela acorda do coma. Você chegou a conversar com pessoas que passaram por esta situação?
Não conheci ninguém de fato, mas sei de gente que teve essa sensação de que estão tendo uma segunda chance de viver. Isso tem o lado bom e o ruim. Afinal, nesses anos que se passa em coma, mesmo sem fazer nada, a vida muda muito. São mudanças e acontecimentos externos, aquelas coisas que a gente nem sabe que estão acontecendo, mas que alteram nosso modo de viver. Muita gente se identifica com essa novela. Esse desejo de superação é constante na vida das pessoas.
Você já passou por alguma situação semelhante e conseguiu superar?
Superar é algo recorrente na vida. É o modo como você olha para um novo relacionamento, uma mudança de emprego. Sempre parece que você está tendo uma segunda chance de fazer diferente, de mudar suas atitudes e seu jeito de olhar para aquilo.
A Ana fica quatro anos em coma e isso vai ser representado em pouco mais de um mês no ar. Foi difícil gravar tanto tempo deitada?
Foi bem complicado. Não podia ter reação alguma em cena. Tentava relaxar, mas não conseguia. Por ter de ficar tanto tempo parada, acabava as cenas cheia de dores lombares. Em alguns dias de gravação, cheguei a ficar oito horas seguidas gravando deitada e imóvel.
Sua personagem está prestes a sair do coma e sofrerá algumas modificações. Como você está se preparando para a segunda fase da novela?
Já estou loura e vou ficar mais ainda. A Ana vai encarar a saída do coma como um recomeço e vai encontrar uma situação familiar bem estranha. A irmã estará casada com o grande amor da vida dela e os dois estarão criando como deles, a filha que ela tanto lutou para ter. Além disso, surge a história de amor com o médico. Algo que vai ser encarado com dificuldades. A caracterização dela vai acompanhar isso. E a cor vermelha vai se destacar no figurino dela. O público já deve ter notado que ela está sempre usando alguma peça nessa cor. Tem um mistério envolvendo isso. Mas eu não posso falar qual é.

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