Yoshio Kawakami saiu do interior do PR para se tornar uma referência no mundo corporativo na América Latina
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domingo, 20 de janeiro de 2013
João Fortes <br> Reportagem Local 
Na década de 1950 o desenvolvimento econômico transformava, de forma acelerada, a paisagem do Norte do Paraná. O solo fértil para o cultivo do café e as oportunidades no comércio de cidades recém-criadas atraíam famílias das mais diversas origens. Uma delas era a dos Kawakami, que veio do Japão para o Brasil no final dos anos 1920, para cultivar café no Estado de São Paulo e posteriormente buscar outras oportunidades em terras paranenses.
Foi nesse clima de novos horizontes pela frente, que em 17 de julho de 1953 nasceu Yoshio Kawakami, na cidade de Cornélio Procópio. A família mal podia imaginar que 60 anos depois ele se tornaria uma referência no mundo corporativo, presidindo a Volvo Equipment Construction (VCE) American Latina.
No ano passado, Kawakami anunciou sua aposentadoria, respeitando a regra da empresa sueca de ficar no cargo somente até os 60 anos de idade. Mesmo assim não deixou de lado a rotina puxada de trabalho. Ainda atua como consultor e conselheiro da Volvo (pelo menos por um ano), além de se dedicar à área educacional e à manutenção do Blog pessoal Pragma Yoskaw (www.yoskaw.blogspot.com).
Em pleno janeiro, por exemplo, o récem-aposentado não está de férias. Passou uma semana nos Estados Unidos, colaborando com a decisão sobre negócios que a Volvo está fechando no país.
Atarefado sim, mas como sempre teve o costume, solícito para responder aos questionamentos da imprensa. Até mesmo por telefone, direto de Las Vegas, como foi o caso dessa entrevista. ''Há um receio de muitos executivos, por considerarem os jornalistas perigosos, mas são eles (executivos) que acabam se comunicando da forma errada. Quando se trata das coisas com maior franqueza, é melhor. Para mim, essa abertura, na verdade, me livrou de problemas ao invés de trazê-los'', avalia.
Ele também relaciona a postura de comunicação com os valores que adquiriu na infância. ''A minha postura não mudou muito ao longo da vida. Quando criança trabalhava com o 'pé no chão', no comércio da família, e conservei valores simples'', declara.
Nessa época, os pés de Kawakami pisavam no chão de Maringá, cidade para a qual ele se mudou com a família dois anos depois de ter nascido e que só deixou quando foi fazer faculdade em São Paulo.
Depois de tanto tempo trabalhando no bazar da família, o jovem do interior paranaense foi rumo à capital paulista para estudar engenharia mecânica. ''Fiz essa opção por ser uma ciência exata, que não dependia das pessoas. Além disso, nos anos 1970 a indústria automobilística começava a evoluir no Brasil e meu sonho era projetar novos carros'', relembra.
Movido por desafios, Kawakami com o tempo acabou descobrindo que, na verdade, sua vocação estava justamente em trabalhar com pessoas, em cargos administrativos, de comunicação, comerciais ou de negócios. Atuou em empresas importantes como General Motors do Brasil, Kubota-Tekko, Cummins (presidiu a empresa no Japão por seis meses) e em 2000 a sueca Volvo o convidou para assumir a divisão de equipamentos de construção, na América Latina.
Com o mercado em crise, a empresa tinha um faturamento anual que não chegava a US$ 60 milhões. Coube ao procopense então ''arrumar a casa'', o que ele ressalta ter feito investindo em treinamento e mudando as formas de trabalho na empresa. Mais difícil ainda parecia promovor o crescimento da empresa, o que, segundo ele, só começou em 2003. O resultado não poderia ser melhor, em 2011 a VCE da América Latina faturou US$ 726 milhões.
Depois de 12 anos de dedicação à Volvo, ele se diz realizado pelo trabalho, reconhecido ''principalmente por funcionários''. Mas ainda tem um desafio importante pela frente: passar mais tempo com a família. ''O volume de atividades ainda é grande, mas creio o objetivo será alcançado'', planeja.


