Miguel Thiré, 19 anos, não economiza entusiasmo quando fala do momento profissional que vive em ‘‘Porto dos Milagres’’. O ator vem se destacando como o romântico Fred na trama de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares e não foge do batente. ‘‘Adoro quando vem uma semana daquelas e me arraso de tanto trabalhar’’, garante Miguel, com uma animação inesperada após um dia inteiro de gravação.
Apesar dos ascendentes famosos – Miguel é filho de Cécil Thiré e neto de Tônia Carrero –, o ator afirma que nunca teve qualquer espécie de regalia por isso. Para ganhar o papel na novela, ele foi selecionado após um teste que, coincidentemente, fez com Bárbara Borges, a atriz escolhida para interpretar Luiza, namorada de Fred. ‘‘A gente se conheceu na hora de fazer o teste. Felizmente, combinamos’’, comemora.
Miguel começou no teatro aos 11 anos, ‘‘como brincadeira’’. Até que, em 1999, passou no teste para fazer o espetáculo ‘‘Tango, Bolero e Xaxaxᒒ, dirigido por Bibi Ferreira, e teve certeza de que estava na carreira certa. Na tevê, seu primeiro trabalho foi num episódio do extinto ‘‘Você Decide’’. Depois, fez uma participação em ‘‘Malhação’’, como o engraçado vilão Jacaré. O trabalho rendeu e o personagem acabou retornando ao folheteen de Emanuel Jacobina. A redenção veio com o bom rapaz de ‘‘Porto dos Milagres’’, que caiu nas graças das adolescentes – ainda que algumas prefiram o estilo bad boy. ‘‘Já recebi uma carta dizendo: ‘‘O Fred é muito meigo, eu gostava mesmo do Jacaré, que botava o cachorro dele pra morder todo mundo. Era tão divertido!’’’, revela o ator, ainda surpreso com o que considera ‘‘mistérios da alma feminina’’.
Como nunca fez curso de interpretação para tevê, Miguel teve várias dificuldades no início das gravações da novela. ‘‘Mas foi justamente isso que me fascinou’’, valoriza. Hoje, ele não dispensa a orientação técnica de seu pai, Cécil Thiré, nem os toques dos profissionais mais experientes. ‘‘Nas cenas difíceis, eu vinha concentrado de casa e nunca dava certo. Até que aprendi que precisava brincar para evitar a ansiedade. Com isso meu trabalho cresceu’’, conta.
Foi com toda seriedade que o ator gravou a sequência em que seu personagem pula de um ônibus para ficar com Luiza. Após conferir o resultado no final do capítulo, Miguel se surpreendeu com a versão da mesma sequência no programa ‘‘Casseta & Planeta Urgente!’’, da Globo. ‘‘Eu esperava que eles fossem imitar o Guma, a Lívia... quando vi: ‘Luiza e Fed’! Eu pensei: ‘Aquela peruca loira sou eu? Ai meu Deus: o que estou fazendo no ‘Casseta & Planeta?!’. Achei hilário!!’’, diverte-se o ator, animado com a popularidade do personagem.
Quando não está gravando, Miguel gosta de correr no calçadão da Barra da Tijuca, bairro da orla do Rio de Janeiro onde mora, sempre acompanhado de Cruyff, seu cachorro waimaraner. Mas o ator sente falta mesmo de um fim de semana para viajar e praticar alpinismo. Depois de ‘‘Porto dos Milagres’’, Miguel pretende conciliar o trabalho com uma faculdade de Cinema.
Sem acreditar que talento seja hereditário, o ator atribui qualquer semelhança com o trabalho do pai à estreita convivência entre os dois. ‘‘Meu pai nunca me deu aula formal, mas sempre comenta minha atuação, sugere, critica, orienta. Meu desempenho não seria o mesmo sem ele’’, avalia o ator, que agradece a sorte de viver numa família que entende e apóia sua carreira. ‘‘Talvez um talento sem acompanhamento e incentivo seja um grande desperdício’’, filosofa.

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