São Paulo - Um dos talentos mais promissores da atualidade fashion nacional, o londrinense Henry Alavez começou o ano a mil. A novidade é que depois de 11 anos ele finalmente tem a própria marca para apresentar sua criatividade. Com seu nome estampando a etiqueta de calçados e bolsas, Henry fez a sua estréia em grande estilo durante a temporada de lançamentos outono-inverno em São Paulo.
Depois de passar pela direção criativa de grifes como Zoomp e TNG, é a primeira vez que ele aposta no próprio nome. Com um charmoso espaço no Terraço Daslu, o estilista passou 10 dias de janeiro apresentando suas criações para compradores do Brasil inteiro em um show-room coletivo. Capitais como Brasília, Vitória e Recife foram as primeiras a se interessar pelo trabalho diferenciado do londrinense. ''São butiques-conceito'', conta Henry sobre as lojas que passarão a vender seus sapatos nos próximos meses.
Em poucas palavras, a vida do estilista londrinense Henry Alavez poderia bem ser resumida em ''o pianista que virou sapateiro''. Poderia, porque os últimos anos têm sido tão interessantes que é impossível não querer saber mais e mais. Tudo porque ele sempre se entrega com muita paixão em cada nova etapa. Atualmente os seus olhos brilham enquanto mostra os vários pares de sapato que criou para a primeira coleção que é pura novidade. ''Não olhei para as tendências. É um trabalho autoral, eu quero lançar a minha tendência'', explica o estilista, que não esconde as influências do rococó francês em suas criações.
Foi na França que Henry mudou totalmente sua vida, que até então estava traçada para seguir a música. ''Era para eu ser um concertista internacional'', entrega o estilista, que chegava a estudar 10 horas diárias de piano enquanto morava na Alemanha. Foram três anos de muita dedicação para a música até descobrir a moda e se apaixonar.
Decidido desde sempre, aos cinco anos, ele resolveu que queria estudar piano. Como ainda não era alfabetizado, não pôde frequentar o conservatório e passou a ter aulas particulares. Aos 15 anos já tinha carteira assinada como pianista da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL). Dois anos depois mudou-se para São Paulo atrás de mais educação musical.
Depois de formado, ir estudar na Alemanha foi um caminho natural. A mudança no percurso aconteceu numa visita a um amigo em Paris, que o levou para conhecer o Studio Berçot de Marie Rucki. ''Eu nem era aluno e fui numa excursão de uma turma para conhecer uma fábrica de sapatos no interior da França'', lembra Henry sobre a coincidência.
''Eu sou um sapateiro, faço bolsas para complementar a história'', explica. ''Consigo me comunicar melhor com os sapatos do que com roupas '', completa o estilista. Três anos depois da paixão à primeira vista pela moda e já formado, o londrinense voltou para o Brasil e se instalou em São Paulo. ''Peguei uma revista Vogue e fui direto para as páginas finais olhar os endereços. Comecei pelo A e fui me apresentando como estilista. Quando cheguei no B, de Beneduci, consegui uma entrevista. A química foi tão forte que logo fui contratado'', conta ele que teve o privilégio de começar a carreira no País com uma das mais tradicionais grifes nacionais na época, 11 anos atrás.
Coincidentemente é com a família Beneduci que Henry voltou a se unir nessa nova empreitada. '' É o frescor de um jovem designer com o know-how e a tradição de 50 anos'', explica o estilista sobre a parceria. Ornella Beneduci não esconde que faz parte do fã-clube do londrinense: ''isso aqui é uma obra de arte'', aponta ela para uma das criações dele.
O perfume étnico é uma das características do trabalho do estilista, que se cercou de matérias-primas diferenciadas. ''De ricos tecidos franceses importados com exclusividade a quimonos vintage garimpados na Liberdade (o bairro japonês de São Paulo)'', relata. E o mais interessante é que tudo pode ser misturado num mesmo par. ''Estou sempre buscando novas possibilidades'', avisa.
''Estava pensando em ir embora outra vez, mas agora não saio daqui por nada'', garante. Além de Hamburgo e Paris, ele também passou uma temporada morando em Nova York onde chegou a prestar serviços para um dos grandes nomes da sapataria internacional, Christian Loubotin.
Outra estréia deve marcar 2008 para o estilista, que a partir do final deste mês assume a cadeira de professor de direção criativa no curso da Faap. ''Vai ser uma relação de aprendizado para mim também'', explica Henry, que como mestre vai poder ensinar ''como fazer uma idéia acontecer'', adianta.
''A música me deu essa organicidade'', afirma. Para ele, é preciso ter um raciocínio linear. ''Primeiro você tem a sensação, mas depois é preciso pegar as vontades e organizar'', explica o estilista, que sempre foi muito bem-sucedido em gerenciar as grandes equipes de estilo das grifes pelas quais passou.
''Mas agora sou só eu'', conta Henry, que não esconde estar adorando a nova experiência. ''Claro que eu vim pra ficar e para crescer'', aposta. E que ninguém duvide disso. Logo, logo as ''obras de arte'' começam a aparecer nos pés das brasileiras.

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