Ser esportista no Brasil não é fácil. Além da puxada rotina de treinos, ainda é necessário driblar a falta de patrocínio. Felizmente, há quem não desista e continue perseguindo seus sonhos, se especializando cada vez mais e levando o nome do País mundo afora.
A ginasta acrobática Ivlini Neves de Souza, de 25 anos, é uma dessas pessoas. Nascida em Santos, no litoral paulista, ela veio para Guapirama (Norte Pioneiro), onde mora sua mãe, há seis anos, para cursar Educação Física na Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), campus Jacarezinho. A escolha do curso foi algo natural, já que a jovem desde os 5 anos de idade se dedica à ginástica. Tanto empenho lhe rendeu um convite para se apresentar na Áustria, com o grupo AT Gotzis Zurcaroh, da cidade de Gotzis, no estado de Vorarlberg. Foram quatro espetáculos durante os 30 dias de estada naquele país.
"Ficamos, eu e mais quatro brasileiros, em uma casa emprestada. Tivemos um trabalho duro, muito treinamento para entrar no ritmo da equipe, pegar coreografias, fazer os exercícios acrobáticos de alto nível. Treinamos todos os dias, menos às terças-feiras, das 16h às 21h, além dos treinos de ginástica e das aulas de dança, para ter um melhor condicionamento físico aeróbico", explica.
O convite partiu do coreógrafo brasileiro Peterson da Cruz Hora, que a treinou quando morava no Guarujá, litoral de São Paulo. "Quando eu entrei ele já estava no grupo, que até então se chamava Grupo Acrobático Guarujá Brasil. Junto com o professor Antônio Carlos Moreira, treinamos juntos 15 anos de nossas vidas e participamos de inúmeros festivais, apresentações, campeonatos, apresentações internacionais e programas de TV. Fomos tetracampeões paulistas da Ginastrada (Festival de Ginástica e Dança), passamos em primeiro lugar na seletiva para representar o Brasil na World Gymnaestrada 2007 em Dornbirn, na Áustria – minha primeira experiência internacional - e ganhamos o ‘Se Vira nos 30’ (quadro no Domingão do Faustão, na Globo)."
Ivlini conta que devido à dificuldade de se trabalhar no Brasil, o coreógrafo acabou indo para a Áustria e montando o grupo AT Gotzis Zurcaroh, que foi campeão Mundial no Gym For Life, na África do Sul. "Surgiu então a ideia de se fazer um festival este ano e, como ele conhece os nossos pontos fortes dentro da ginástica, nos convidou para participar. Os empresários do grupo aceitaram levar cinco atletas brasileiros, com tudo pago e eu fui uma das escolhidas", conta. "Diferentemente do Brasil, o grupo tem empresários, patrocínios, estrutura. São cinco ginásios à disposição da equipe para treinos e tudo o que for preciso em equipamentos, figurinos e cenários. Eles trabalham duro para manter a equipe no alto nível e todo dinheiro que entra é investido na equipe, que é composta por cerca de 40 atletas", completa.
Além da oportunidade de treinar em uma superestrutura, a ginasta conta que os atletas brasileiros também tiveram a chance de conhecer novos amigos e o dia a dia deles. Devido à facilidade geográfica, puderam conhecer países vizinhos, como a Alemanha, Suíça e Itália.
"A experiência foi incrível, conheci pessoas maravilhosas, amigos que estão no meu coração. Pude dar o meu melhor nas apresentações, todos os momentos vão ficar gravados para sempre na minha memória e nas fotos", conta, rindo.
De volta ao Brasil, Ivlini agora se dedica ao seu trabalho de conclusão de curso (TCC) sobre overtraining, quando o corpo não consegue se recuperar do excesso de exercícios. Bacharel em Educação Física, ela agora está terminando a Licenciatura. "Minha pesquisa está sendo feita com os atletas de lá (Áustria), que treinam profissionalmente há três anos."
A ginasta também cumpre uma rotina de treinamento e pretende se especializar cada vez mais, enquanto tenta driblar a falta de patrocínio. "Aqui no Brasil é difícil viver só do esporte, eu adoraria ganhar para treinar, apresentar e estudar, é o sonho de qualquer atleta, ainda mais quem tem 15 anos de carreira artística. Treino força na musculação três vezes na semana, flexibilidade e os exercícios específicos de ginástica - resistência, equilíbrio, paradas de mãos. Quero continuar fazendo apresentações de ginástica em eventos no Brasil e fora dele e pretendo fazer outros cursos. Também quero muito passar a experiência que tenho em oficinas e aulas de ginástica. A vida é uma caixinha de surpresas, estou aberta a novas possibilidades", finaliza.

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