O dono da grife Art Paris, o estilista Rodrigo Rosner, deixou de lado o glamour da maior capital brasileira, a louca São Paulo, e há dois anos investe no mercado curitibano. Rosner tem na cidade a única loja de sua grife. Uma aposta que para muitos pode parecer inusitada, para ele funcionou como um laboratório de conceitos. Na terça-feira, ele investe mais uma vez em padrões que fujam do tradicional: ao invés de chamar top models para apresentar sua coleção primavera/verão em Curitiba, ele convocou paranaenses consagradas em atividades culturais, na gastronomia e beleza para executar seus trabalhos ao vivo vestindo as peças da marca.
A vitrine de criatividade, como está sendo chamada, poderá ser vista das 16h às 20 horas e tudo que for vendido nesse dia terá parte da renda destinada ao Hospital Erasto Gaertner. Entre os nomes já confirmados para a perfomance estão Angel (DJ), Sílvia Döring (designer de jóias), Katia Horn (manipuladora de bonecos), Marília Giler (música), Rocio Infante (bailarina), Manu Daher (florista), Glaci Lakoski (fotógrafa), Jussara Age (pintora) e Isabel Cristina (hair stylist).
E o que Rosner preparou para mais uma temporada de termômetros em alta? A nova coleção valoriza o estilo clássico, equilibrado e limpo. Fluidez, conforto e tecnologia são as palavras principais do guarda-roupa da mulher que veste a marca. A transparência e a sobreposição de peças estão em alta, com foco em três tendências: oriental, étnico e anos 70.
O Oriente está em quimonos, obi (cinto de quimono), chinelos, formas geométricas e tem, como cores predominantes, o vermelho e o preto. O étnico traz peças enrugadas e amassadas e amarrações nas roupas e sandálias. As peças desta linha foram confeccionadas em tecidos naturais e tecnológicos. O algodão e o linho voltam reestruturados com mistura de poliamida e elastanos. Os tons neutros, como bege, cru e branco, predominam. O estilo Yves Saint Laurent, saias-lápis, ternos, calças masculinas e batas românticas compõem a releitura dos anos 70. Na cartela de cores, rosa pó, azul acinzentado, verde menta, amarelo claro.
A silhueta predominantemente é alongada. Rosner optou pela contraposição de volumes. Quando as peças superiores são volumosas, as inferiores são secas e vice-versa. Os volumes também aparecem nas saias-lápis ou nas longas. As calças ganharam corte masculino ou modelagem cigarrete. Na série de vestidos, longos esportivos em linha A, sleepy dress (cortado em viés) e o estilo regata, perfeito para ser usado com leggings. Nas blusas, a Art Paris criou volumes misturados com assimetrias e nos tops secos. Os paletós surgem mais curtos e justos.
Uma das apostas do estilista que já virou marca são os bordados. Só que desta vez eles aparecem em motivos geométricos, abstratos e florais com aplicação de tecidos. Entre os acessórios e matérias complementares usados na coleção estão madrepérola, pérolas disformes, conchas, pedras brutas e barbantes. Como quem está sintonizado com os caminhos apresentandos pela moda sabe que a nova ordem mundial é liberar a criatividade, deixando claro que cada um tem quem ter disponível o que quiser vestir, independente de modismos, a proposta da grife de ser chique e clássica cabe como uma luva.
Curitiba sabe receber esta tendência. Por aqui chovem mulheres conservadoras que gostam de mostrar que assim mesmo estão na moda. O chique é eterno. Rodrigo Rosner também quer fazer que suas criações sejam.

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