Vítima das circunstâncias
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de março de 2009
Gabriela Germano<br> TV Press 
Alexandre Borges sempre arrebatou o coração das mulheres com seus personagens. Mas em Caminho das Índias, na pele de Raul, o jogo se inverteu. Nas ruas, o ator continua atiçando as fãs.
Se o casal de protagonistas da novela das oito ainda não decolou, a história entre os personagens de Alexandre Borges e Letícia Sabatella estourou desde o início. O ator não esconde a satisfação de ver um trabalho repercutir logo de cara, mas diz que começar uma novela com um personagem quente tem seu riscos. ''A história já chegou acontecendo. Não é um personagem que cresce aos poucos. Então tive de apostar em um estilo e confiar que ia dar certo'', explica o ator.
Questionado sobre a identificação dos homens com o seu personagem, ele justifica dizendo que hoje vivemos numa época de muita competição. ''As pessoas estão sem religiosidade, não há espaço para a espiritualidade. Todo mundo é pouco equilibrado e pouco centrado em si mesmo. Meu personagem traz essa discussão. O Raul é um estressado, quase um depressivo. Ele ficou anos trancado em uma empresa para dar boas condições de vida à mulher e à filha. Só que percebeu que não é feliz. E quando uma pessoa chega a essa conclusão, às vezes acaba atropelando gente ao seu redor. Passa por egoísta e individualista. Não faço o personagem para que as pessoas torçam por ele. Mas quero que entendam o que o levou a tomar essas atitudes''.
E pela resposta do público até agora, ele constata que as reações são bem diversas, e geralmente os homens compreendem melhor. ''O público masculino reage de maneira bem diversa do feminino. E estou gostando de explorar esse universo. Acho legal um casal acompanhar a novela e começar a discutir essas questões do casamento. Estamos mostrando um casal com todas as suas nuances do cotidiano. Briga, desgaste, renovação da união, o que significa para um homem ter apenas uma mulher na vida. Novela é um produto bem feminino, mas adoro mostrar o lado masculino da questão. Há momentos em que o personagem tenta recuperar a mulher. Faz um convite para um jantar mas aí ela diz que vai levar a amiga junto! A gente quer passar a ideia de que Yvone é a grande responsável por essa separação. Queremos valorizar o casamento e faço isso de maneira muito natural''.
Ao falar sobre o papel de galã que geralmente interpreta, Alexandre Borges diz que não se incomoda, pois sempre se prepara quando vai cumprir essa função. ''Alguns falam da dificuldade de encontrar galãs mas acho que hoje temos uma variedade bem maior do que antes. Lembro-me da época em que alternavam Tarcísio Meira com Francisco Cuoco e às vezes colocavam o Cláudio Marzo no meio. Mas é que mesmo hoje tendo mais opções a renovação é complicada porque as pessoas gostam de determinado ator e só querem aquele. De qualquer forma sempre procuro estar bem. Cuidar da imagem, ter uma preocupação com o cabelo, com o figurino, com a postura. E sempre tento criar diferenças entre um e outro, mesmo que sejam sutis. Sem contar que já fiz personagens históricos, um alcoólatra, um traficante... A verdade é que adoro fazer televisão''.


