No mês que vem, a empresária Ana Mota completa 30 anos vivendo em Londrina. "Cheguei no dia 9 de julho de 1985", lembra Ana, que trocou a Bahia natal para vir ajudar o irmão e a cunhada com os sobrinhos gêmeos que estavam para nascer. Até então, ela havia morado com os pais em um sítio "no interiorzão da Bahia". "Nasci e cresci lá", conta. Em cidade mesmo, Ana só foi morar cerca de um ano antes de vir para o Paraná.

Caçula de 12 filhos, a empresária foi a oitava da família a se mudar para Londrina. Depois de sete meses, Ana decidiu que continuaria na cidade que os irmãos haviam escolhido. Mas para isso precisaria de uma profissão. "Lá na Bahia não tive oportunidade de estudar, fiz só o primário e sabia muito pouco. Então decidi pelo curso de manicure que sabia que me arrumaria fácil um emprego."

Dito e feito. Assim que terminou o curso, Ana foi trabalhar em um salão e por lá ficou oito anos. Depois de duas décadas como empregada de três salões diferentes, ela decidiu abrir o próprio negócio. Mas a visão empreendedora já havia sido despertada antes. "Enquanto eu fazia um pé e mão, uma moça do segundo salão que eu trabalhei fazia cinco sobrancelhas", lembra a empresária, hoje uma referência em design de sobrancelhas na região.

"Me inspirei nela, e ela também me deu muitas dicas. Não tinha técnica nenhuma, fui tentando, aprendendo em mim mesma. Depois fui fazer cursos em São Paulo. Minhas clientes ficaram bravas porque fui deixando de fazer manicure", lembra. Hoje em dia ela deixa as pinças e volta para os alicates apenas por um único cliente. "É meu médico, não tenho como não atender", explica.

"Vou tentar, vou abrir uma portinha pra mim. Se não der certo, volto a ser empregada, pensei", conta Ana sobre sua decisão de abrir o próprio salão. "Em agosto vai fazer 17 anos que moro na Gleba (Palhano), vi todo o crescimento da região. Quando vi esse imóvel para alugar, pensei: vou montar minha salinha aqui. Na época só tinha uma filha. Quando, depois de três meses, vi que o salão ia de vento em popa, engravidei", lembra. A filha caçula nasceu no dia em que o salão completava um ano. Detalhe: a licença maternidade durou apenas 13 dias. "E trabalhei até cerca de meia hora antes de ir para o hospital", entrega.

"Não dizem que é o olho do dono que engorda o boi?", brinca Ana. Mas o trabalho é assunto sério para ela. Ana dá expediente todos os dias, chega cedo e só vai embora quando o salão fecha. Além de fazer as sobrancelhas que lhe renderam fama, ela também cuida das contratações de novos funcionários para a equipe, hoje com 37 pessoas. "Incluindo eu e meu marido", contabiliza. É o marido, por sinal, que cuida da parte administrativa do salão, posto que assumiu dois anos após a inauguração.

"Medo eu tive, mas ainda assim fui confiante. As oportunidades surgem e a gente tem que abraçar na hora que aparecem. Eu tinha que pegar ou pegar senão aparecia outra pessoa", justifica Ana. Isso porque o salão, que começou com 44 metros quadrados, agora conta com 750 metros quadrados e ampla movimentação da clientela.

Para trabalhar com a empresária é preciso passar por um teste aplicado por ela mesmo. "Fiz muito, então eu sei o que é uma unha bem feita", explica. É, aliás, um dos segredos do sucesso da empreendedora. "Tudo o que me proponho a fazer, faço bem feito."

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