Émile Peynaud, um dos maiores enólogos da França, já dizia que degustar um vinho é submetê-lo aos seus órgãos dos sentidos, analisando-o atentamente. Mestres dos mestres, é de Émile também a famosa frase: ''Se existem maus vinhos é porque existem maus bebedores''.
O consultor de vinhos Adriano Cardoso concorda. Há quase uma década esse paranaense dedica-se à arte de degustar, fazer recomendações de harmonização e ocasião de consumo, provando a cada indicação que uma escolha certa está longe de ser a mais cara.
''É um grande erro dizer que apenas vinhos caros são bons. Hoje temos vinhos bons com preços amenos. E vamos deixar claro que vinho bom é aquele que você gosta'', diz ele.
Natural de Curitiba, 37 anos, casado e pai de dois filhos, Adriano vive o universo do vinho com uma autoridade silenciosa e simples. O talento e a cultura sobre o assunto foram adquiridos em passagens dentro e fora do Brasil.
Em 2004 ele foi morar na Europa. A vontade de fazer a diferença em um restaurante que trabalhava em Portugal foi fundamental para tornar-se um expert no assunto. ''Decidi que iria aprender sobre a carta de vinhos que havia no estabelecimento para poder ter mais argumento na hora da venda'', relembra.
Decidido, se aprofundou no sonho. Aprendeu a beber, degustou centenas de rótulos, conheceu vinícolas, apurou o paladar, leu, pesquisou e entrou para o time dos que opinam com propriedade - e sem mistificação - sobre essa bebida tão respeitada.
Em Portugal o brasileiro colecionou ótimas experiências. Trabalhou em bares e restaurantes de grandes hotéis, integrou a equipe de consultores de vinhos do luxuoso Casino do Estoril, passou pelo Hotel Equador, sem deixar de lembrar os estabelecimentos mais singelos, que também contribuíram muito para seu aprendizado.
''Trabalhei em bares na Praça de Luís de Camões, adquiri rapidez e agilidade em restaurantes à beira-mar. Mas nessa época Portugal já dava claramente passos largos para a crise financeira e o euro já não valia o mesmo, então decidi ir para a Inglaterra, um dos lugares que mais tenho saudade. Lá trabalhei em dois lugares, sendo um deles um restaurante italiano. Fiquei na Inglaterra por cinco anos.''
Já em terras tupiniquins, Adriano soube usar a experiência adquirida lá fora para turbinar ainda mais seu currículo. Trabalhou no Vino!, Terra Madre, Pomodori e Fasano. Todos na capital paulista.
''Voltei da Inglaterra e sabia que me faltava no currículo experiência em hotéis, então me candidatei e consegui. São Paulo é uma cidade cosmopolita, que não para nunca. Tudo é conhecimento!''
Com uma folha corrida profissional consolidada e antenado com as novas tendências do mercado de vinhos, há seis anos Adriano escolheu Londrina para morar. Como em suas passagens pelos grandes centros, vivencia aqui o que para ele é uma das melhores profissões do mundo. Na Enoteca Jardins by Fasano, um espaço ainda novo e totalmente dedicado aos amantes de vinho, Adriano sugere, opina e recebe a todos com bom humor, inteligência e combatendo o elitismo que ronda o setor.
''Este mercado em Londrina está em franca expansão. Vejo uma cidade promissora para esta profissão, mas falta iniciativa dos proprietários de bares e restaurantes para investir em treinamento das suas equipes. Quando isso acontecer, acredito que o nível de serviço será consideravelmente elevado e, consequentemente, as vendas, também'', contextualiza Adriano.

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