VIDA MULTIFACETADA
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de dezembro de 2002
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - André Gentil tinha tudo para ser um grande publicitário. Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), no início da década de 90, ele acabou trilhando caminhos tão adversos que hoje não é nem publicitário, nem colunista (coisa que já foi por um tempo em um jornal do Paraná) e tampouco se dedica a matérias concretas. O negócio que encanta a vida de Gentil e que o leva a ser uma das personalidades mais conhecidas da sociedade Curitiba é a música. O rapaz virou DJ.
O contato com a cena musical nacional começou ainda na época em que ele acabara de sair da faculdade e mantinha nas veias a gana de exercer a profissão conquistada com o diploma. Gentil tinha um apartamento no Rio de Janeiro e lá começou a história que o traz para os dias de hoje como um expert na arte de montar trilhas para a diversão de alguns jovens.
Um tempo onde a cena clubber começava a nascer no Brasil. Nos Estados Unidos e Europa ela arrefecia, mas aqui, gente como Zé Pedro e Felipe Venâncio (dois dos Djs mais conhecidos atualmente no País), davam os primeiros passos em direção à nova profissão.
Amigos de noitadas, os dois hoje famosos começavam a brincar com os vinis e CDs. Foi numa destas noites em que o curitibano participou, que surgiu o embrião de uma das festas mais conhecidas do movimento clubber do Rio de Janeiro: a ValDemente. Uma resposta da noite carioca aos intermináveis encontros delirantes de música eletrônica que aconteciam na cidade rival, São Paulo.
Esta festa representou tanto para a história dos clubes brasileiros por ter tido a força de juntar num só local gente famosa como Vera Fisher e Miguel Falabella, os gays mais bonitos e ricos da cidade e os mais undergrounds. A origem do nome veio da parceria de uma amiga de Gentil, Valéria Braga, vendedora da loja Yes, Brazil do shopping Rio Sul com Fábio Demente - na verdade Monteiro - um desenhista industrial que também é formado em comunicação visual. Nascia aí o movimento que durou toda a década de 90 no Brasil e que hoje está adormecido.
Depois desta convivência eletrizante Gentil nunca mais seria o mesmo. Em Curitiba novamente acabou por virar um jornalista de ocasião. Ele fez uma das únicas colunas de comportamento realmente hype que a cidade já viu. Ele trabalhou como colunista e também escreveu sobre moda. ''Muita gente não gostava que eu estivesse lá, por eu não ser formado em jornalismo e sim em Publicidade e Propaganda''.
A história da passagem de Gentil como colunista social rende assunto até hoje. Gentil revolucionou na época. Foi ele quem mostrou o que acontecia nas noites. O universo gay misturado ao heterossexual veio à tona de uma tal forma que Gentil acabou seguindo um caminho menos conflitante com a ala conservadora curitibana. Uma perda grande para quem aprecia ver o que realmente acontece nas madrugadas da Capital.
Ao desligar-se da grande teia que é a mídia da moda e do comportamento em qualquer lugar do mundo, Gentil começou a fazer algo mais suave. Sem interferência alheia, nasceu o André Gentil definido por ele mesmo como Disc Jóquei. '' O DJ pode ter várias funções. Eu sou um Disc Jóquei e não um produtor'', explica . A resposta enfática veio para esclarecer a pergunta sobre por que alguns DJs lançam CDs com músicas conhecidas, mas com interferência do profissional. Segundo Gentil, para um profissional montar um CD, onde ele mexe nas músicas, é necessário um grande trabalho de produção, que inclui principalmente a liberação dos direitos autorais e do auxílio financeiro e operacional de gravadoras, coisa que todo mundo sabe que significa o grande entrave para se fazer música hoje no Brasil.
Mas Gentil não está nem aí. Agenda lotada e fazendo o que realmente quer ''atualmente'' da vida, o misto de publicitário, jornalista, DJ e ''ser'' cosmopolita segue com seu trabalho de musicar desfiles, festas de empresas, de gente louca, de gente careta e de quem mais quiser que ele coloque seus discos para tocar. ''Não faço discriminação entre clientes'', finaliza.


