Pelas leis vigentes do Código de Trânsito Nacional, Mayara Beraldo não pode dirigir porque tem apenas 17 anos. Tampouco pelas leis que dividem os machos das fêmeas. Desde que inventaram o acelerador, o mundo da velocidade é quase que exclusivamente masculino. Mas para a estudante londrinense, as tais leis não interferiram no sonho de disputar um lugar no pódio.
Na semana passada, com uma carteirinha especial para correr no Autódromo Internacional Ayrton Senna, Mayara estreou na categoria Speed Fusca. Era a única mulher na pista, aliás foi a primeira a colocar o fusca envenenado em alta velocidade.
Mas logo no final de primeira bateria, a estreante teve que abandonar a corrida. ‘‘Quebrou o planetário’’, diz Mayara, que emenda logo um ‘‘só que eu não tenho idéia do que seja’’, brinca.
Inspirada pelo pai, tri-campeão norte-paranaense de Enduro, Mayara fez a sua estréia em corridas depois de apenas quatro dias de treinos. ‘‘Aprendi a dirigir aos nove anos’, lembra a piloto, que começou a dirigir de brincadeira, no colo do pai.
No domingo, com o Autódromo Ayrton Senna lotado, parte do público era formado pela família. ‘‘Veio todo mundo me ver’’. ‘‘Minha mãe gosta, apóia como o meu pai, mas ainda tem um pouco de medo’’. Segundo Mayara, a irmã mais velha ficou tão empolgada com a história toda que talvez comece a correr também.
‘‘Eu não sabia como era a adrenalina toda’’, conta Mayara, que durante os quatro dias de treino (de 8 às 18 horas), só teve noções de conhecimento da pista para decorar todo o traçado – onde acelerar, onde frear e, principalmente, onde ultrapassar. ‘‘Todo mundo brincava que não ia ser nada legal ser ultrapassado por uma mulher’’, lembra.
O melhor tempo da garota foi de 1 minuto e 48 segundos, o que equivale a chegar a 165 km/hora na reta oposta. ‘‘Ela surpreendeu’’, diz o preparador Grilo, também chefe da equipe de Mayara, que tem outros sete pilotos. ‘‘A única diferença de ter uma mulher na equipe é que a gente fica um pouco constrangido, na hora de apertar o cinto de segurança, por exemplo’’, completa Grilo.
‘‘Mas eu acho que todo mundo ficou um pouco com o pé atrás com a minha presença’’, afirma Mayara. ‘‘Mesmo assim, todo mundo me dá dicas e me incentiva’’, completa.
A próxima corrida da Speed Fusca acontece no dia 23, em Londrina. Até lá, carro e piloto prometem estar afinadíssimos. ‘‘Eu não entendo nada de mecânica, mas as mulheres têm mais jeito com os detalhes’’. E nos detalhes, Mayara já é campeã. O capacete é vermelho e cheio de estrelas prateadas, combinando com as sapatilhas vermelhas e o macacão branquinho. ‘‘No dia da corrida, até pintei as unhas de vermelho, mas elas estragaram antes do final da corrida’’, lembra.
‘‘Eu até pensei em fazer uma maquiagem também, mas daí lembrei que poderia borrar tudo. Mas batom e rímel são essenciais’’, diz, toda vaidosa.

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