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Uso de hidroxicloroquina rende elogio de Bolsonaro a Kalil Filho

O médico já cuidou de Dilma, Lula, Fernando Collor, José Sarney , Gil e Roberto Carlos

Isabela Palhares/Folhapress
Isabela Palhares/Folhapress

 

Uso de hidroxicloroquina rende elogio de Bolsonaro a Kalil Filho
 

São Paulo - Com fama de durão nas equipes com as quais trabalha, o médico Roberto Kalil Filho se orgulha de ser direto e rigoroso até mesmo com pacientes que não costumam receber ordens ou ser contrariados. O "médico dos presidentes" costuma dizer que essa é uma das características que fizeram tantos políticos confiarem os cuidados de sua saúde a ele.

Cardiologista do Hospital Sírio-Libanês e diretor do Instituto do Coração (Incor), Kalil é médico dos ex-presidentes Michel Temer (MDB), Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Collor (PROS) e José Sarney (MDB). Também tem entre seus pacientes o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador José Serra (PSDB) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).



Mas foi parar em um pronunciamento nacional por causa do presidente que não é seu paciente. Na noite de quarta (8), Jair Bolsonaro (sem partido) parabenizou Kalil em rede nacional por ter dito publicamente que usou a hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 - talvez numa cutucada ao infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, que se recusou a dizer se tinha usado ou não o medicamento, que ainda está em fase de testes para o coronavírus mas já é defendido por Bolsonaro.

Kalil disse ao jornal Folha de S.Paulo que a menção foi uma "surpresa". Em 2018, quando levou uma facada durante a campanha eleitoral, Bolsonaro rejeitou o atendimento de Kalil, a quem seus filhos se referiam como o "médico de estrelas e de petistas". Kalil nunca escondeu o apreço pela proximidade com os principais nomes da política nacional e, especialmente, de conciliar boas relações com grupos que normalmente estão em lados opostos.

Em 2017, por exemplo, seu casamento com a médica endocrinologista Claudia Cozer reuniu dezenas de políticos de vários partidos. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) assistiu à cerimônia sentado ao lado de Alckmin, com quem um ano depois disputaria a presidência. De família paulistana influente, Kalil cresceu em uma casa com visitas frequentes de nomes como o do ex-presidente João Baptista Figueiredo e Paulo Maluf.

Ao jornal Folha de S.Paulo, em 2011, Kalil contou que a convivência com políticos intensificou nos anos 1980, quando se tornou assistente do tio, o cardiologista Fúlvio Pileggi, um dos veteranos da especialidade médica no país e que foi responsável pelo Incor por mais de 15 anos. "Quando comecei, era um rato de esgoto", disse Kalil na época. "Foi o doutor Pileggi que me ensinou tudo", disse.

Contou também que a pedido do tio, acompanhava ministros e governadores em exames e passava madrugadas de plantão no quarto das autoridades. Passou a atender Lula no início dos anos 1990 por intermédio do advogado Roberto Teixeira, compadre do petista. "Kalil, você é malufista, não é? Quer atender o Lula?", teria perguntado. "Não sou malufista nem petista, mas atendo, sim", respondeu o médico. "Na época ninguém achava que o Lula seria presidente", afirmou Kalil, que diz ter sido, ao longo da vida, agraciado pela "sorte de estar no lugar certo na hora certa".



Por essas experiências, contou não ter sido novidade quando precisou lidar com casos de maior notoriedade, como quando tratou da então candidata Dilma, que teve câncer no sistema linfático. À reportagem, médicos do Sírio-Libanês e do Incor contaram que o perfil "durão e mandão" de Kalil o aproximou de muitos de seus pacientes. Um episódio que o médico gosta de relembrar aos colegas é de ter convencido Lula a não viajar para a Suíça, em 2010, onde iria para o Fórum Econômico Mundial de Davos. O ex-presidente estava com uma crise de hipertensão.

Para os colegas, a boa relação de Kalil com políticos e empresários também colaborou para resgatar o Incor. O instituto, por mais de uma década, acumulou dívidas com fornecedores e bancos, que chegaram a quase R$ 500 milhões, mas conseguiu em 2017, sob a presidência de Kalil, quitar os débitos. Além dos políticos, Kalil também tem na lista de pacientes nomes como o de Roberto Carlos e Gilberto Gil. Depois de uma internação em que foi diagnosticado com hipertensão e insuficiência renal, o cantor baiano compôs uma música ao médico, batizada com seu sobrenome.

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