Com 1,80 m, a louríssima Claudia Liz nunca passou despercebida onde quer que fosse. Aos 13 anos, enquanto passeava de patins, foi chamada para participar de um comercial de televisão. Por seu primeiro trabalho como modelo ganhou um disco de vinil de Gilberto Gil. Aos 15 já estava morando em São Paulo por conta dos compromissos profissionais. Deixou a adolescência e a família em Goiás, sua terra natal, para brilhar nas revistas e passarelas. Foi das modelos brasileiras mais conhecidas e badaladas de sua época. Queridinha de estilistas, um deslumbre nas passarelas.
Mas quando Claudia começou na carreira de modelo, ainda nos anos 1980, a moda no Brasil sequer era considerada um ''mundinho fashion'', denominação que já foi mais do superada com o advento da São Paulo Fashion Week e do Fashion Rio. A moda brasileira se profissionalizou e se consolidou, conquistando um lugar no planeta. Sem falar no fenômeno Gisele Bundchen, que abriu as portas das passarelas internacionais para as beldades conterrâneas.
Hoje, as modelos brasileiras estão nas capas das revistas mais badaladas do mundo e donas de contratos milionários de campanhas publicitárias. Infelizmente, Claudia Liz ficou ainda mais conhecida no Brasil por conta de uma fatalidade. Um problema durante uma lipoaspiração fez com que ela ficasse em coma por um bom tempo. Sua situação comoveu todo o País.
Dez anos depois, Claudia volta à cena fashion com o lançamento do livro ''O Caminho da Passarela Tudo o que você sempre quis saber sobre a profissão de modelo e nunca teve uma top model para perguntar''. Em 155 páginas, conta sua experiência e dá dicas para quem está dando os primeiros passos na carreira ou pensa em começar.
Para Claudia, é um livro ''no qual como amiga e não como uma professora transmito, de coração aberto, tudo o que vivi, experimentei e aprendi na profissão de modelo'', diz. ''Fui descobrindo tudo sozinha. Sempre fui muito observadora e isso facilitou muito, mas também passei por algumas situações difíceis que eu ainda não tinha maturidade pra lidar. Por isso escrevi esse livro, para facilitar essa geração de meninas que começa na mesma idade em que eu comecei'', conta a ex-modelo. Quando ela entrou nas passarelas, beldades como Silvia Pfeifer e Beth Prado eram colegas de profissão. Com a chegada dos anos 1990, nomes como Alessandra Berriel começaram a despontar para logo serem seguidas por Fernanda Tavares e a própria Gisele, segundo Claudia Liz.
''O mercado da moda e da beleza cresceu. Isso com certeza fez com que aumentasse a concorrência em todas as áreas desse mercado, inclusive a das modelos, mas também aumentaram as oportunidades de trabalho e os cachês'', explica Claudia, que avisa as garotas que ''ser modelo é profissão séria que exige muito mais do que ser bonita''. Para Claudia, a dica é ter muita informação sobre moda. ''Fique atenta a tudo que sai na imprensa (jornais, revistas, TV, internet) sobre moda: estilistas, agências, entrevistas de modelos famosas, novas tendências, enfim, tudo que ajude você a ampliar seu conhecimento sobre a profissão e as pessoas que fazem a moda acontecer'', ensina.
''Há alguns anos defini o que realmente gosto de fazer e o que não gosto. Não gosto da rotina da TV, mas gosto de trabalhar em equipe e de não ficar tão exposta, como ficava antes. Com isso fui priorizando outras coisas na minha vida. Adoro imagens! Hoje tenho uma agência de design e comunicaçao visual, a Galo Design, e continuo trabalhando com imagem, mas agora é a imagem dos meus clientes'', afirma Claudia, que fez todas as ilustrações do livro.
De acordo com a ex-modelo, o projeto do livro consumiu dois anos de trabalho. ''Demorei sete meses para colocar tudo no papel. Depois vieram as entrevistas e as pesquisas e fui acrescentando as informações. Somando com acompanhamento da edição, preparação, revisão e arte (feita pela minha agência), ao todo foram dois anos'', lembra. ''Para escrever o livro. pesquisei e entrevistei porque compreendia o assunto e sabia onde encontrar mais informações. Mas não pretendo me tornar escritora'', garante.
Durante 15 anos, Claudia Liz viveu da moda e para a moda. Morou em Paris; Milão, Nova York e Paris. Trabalhou para grifes poderosas como Chanel, Missoni e o estilista Yohji Yamamoto. Foi para a frente das câmeras de televisão, primeiro na MTV, depois em algumas novelas e minisséries. Por sua atuação no filme As Meninas, ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Cartagena (Colômbia).

Um alerta
Em 1996, quase na mesma época em que era lançado o MorumbiFashion Brasil (hoje São Paulo Fashion Week), Claudia Liz ouviu, após um desfile, o comentário de uma editora de moda de que ela estava acima do peso. ''Ela é uma profissional brilhante, mas conhecida no meio pela acidez de suas críticas. Apesar de saber disso, eu não consegui lidar bem com aquele comentário. Em vez de me recolher para recuperar a boa forma, tomei uma decisão precipitada que quase custou minha vida'', relata a ex-modelo sobre a sua lipoaspiração, que a deixou em coma.
''Falo do meu caso no livro com uma única intenção: alertar as meninas do risco de uma cirurgia. Não sou contra a plástica, mas acho que os riscos e os resultados que não deram certo são pouco divulgados no Brasil. Hoje sinto-me muito à vontade com meu corpo. Me alimento de frutas, verduras, alimentos integrais, cereais, carnes magras, mas adoro doce e não me privo mais deles. Faço ginástica, bebo socialmente e durmo bem. Sou saudável! Claro que saio da forma com os doces, mas não me preocupo mais com isso. Já fiz muita dieta. Hoje, sou normal'', avisa. (K.M.)

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