Com um largo sorriso no rosto - uma de suas principais marcas -, Irmã Elvira Maria Perides Lawand chega apressada para a entrevista agendada em uma manhã de sábado na Santa Casa de Londrina. Logo no início da conversa, que durou mais de uma hora, já é possível perceber a pessoa batalhadora e, acima de tudo, dedicada que está por trás das vestes de Irmã de Maria de Schoenstatt. Não é à toa que recebeu o título de Cidadã Honorária de Londrina, em sessão solene na Câmara de Vereadores há pouco mais de dois meses.
Londrinense de coração, como ela própria define, Irmã Elvira, natural de São Paulo, chegou à cidade em 1982. Desde então, divide-se entre as suas maiores vocações: a vida religiosa e a enfermagem.
A opção pela enfermagem e a decisão de aceitar o ''chamado'' para ser Irmã de Maria foram motivadas por uma vontade em comum: a necessidade de ajudar o próximo e de servir a Deus através das pessoas. Ingressou na vida religiosa em 1980, com 23 anos. Cursou enfermagem alguns anos depois na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Seis meses antes de concluir a faculdade começou a atuar na Santa Casa, onde está até hoje.
Já desempenhou diferentes funções no hospital e atualmente atua no Centro de Educação Profissional Mater Ter Admirabilis e na Comissão de Bioética e Ética em Pesquisa de Seres Humanos da Irmandade da Santa Casa.
O profissionalismo é uma característica marcante de Irmã Elvira. Transitando em dois ''universos'' distintos e até mesmo antagônicos - religião e medicina -, ela mantém uma postura respeitosa diante de opiniões que ''ferem'' seus princípios.
''Existem valores diferentes dos nossos. Muitos, por exemplo, são a favor do aborto e da eutanásia. Procuro respeitar as divergências, mas confesso que passei por um processo de crescimento interior até entender e aceitar essas questões'', explica, acrescentando que o julgamento cabe a Deus. ''Quem sou eu para distorcer o modo de pensar do outro? Ou de culpá-lo por isso?'', questiona.
Outro ponto polêmico tratado durante a entrevista foi a situação da saúde pública em Londrina. Acompanhando há três décadas as mudanças, melhorias e decadências do setor, Irmã Elvira entende que o Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior gargalo. ''A assistência à saúde melhorou, mas ainda há muita coisa para ser feita. Sou otimista. Temos um novo governo para olhar por essas necessidades'', opina.

Cidadã Honorária
Irmã Elvira ficou surpresa ao saber que receberia o título de Cidadã Honorária de Londrina. A iniciativa foi do vereador, hoje presidente da Câmara, Rony Alves (PTB). ''Ele me ligou e disse que precisava conversar comigo urgente. Imaginei que quisesse falar sobre algo grave que estava acontecendo na cidade'', recorda.
Durante o encontro, porém, só recebeu boas notícias: a de que o Centro de Educação Profissional Mater Ter Admirabilis receberia a Comenda Ouro Verde e de que ela seria homenageada com o Título da Cidadã Honorária. ''Fiquei sem palavras. Muito comovida'', comenta.
''Dedico (o título) especialmente ao Instituto das Irmãs de Maria de Schoenstatt, ao trabalho em conjunto com a arquidiocese, à Irmandade Santa Casa, entre outros'', destaca, reforçando a importância da sua família durante toda a sua trajetória. ''Sou de uma família querida em que o amor e a fé superaram e superam todas as dificuldades'', pontua.
De origem católica, lembra com carinho da infância. ''Meu pai, que faleceu há 11 anos, era sírio, e minha mãe paulista, de família grega. Tenho cinco irmãos. Crescemos participando das missas dominicais, indo à catequese, rezando em casa'', diz.
Segundo ela, ''como Irmãs de Maria de Schoenstatt, conforme disse o Papa Bento XVI, deixamos tudo, que é nada, para abraçar o verdadeiro tudo que é Deus''.

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