Uma sonhadora no gabinete
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domingo, 01 de dezembro de 2002
Karla Matida<br> Reportagem Local 
O gabinete da reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está passando por reformas. Isso porque tem ''gente nova no pedaço''. Depois de quase seis meses no cargo, o fato de ser a primeira mulher a assumir a reitoria da Universidade Estadual de Londrina já não assusta mais a bióloga Lygia Pupatto. Se é que isso algum dia tenha acontecido realmente, afinal, assumir um cargo público, faz algum tempo, não é mais novidade para ela. Antes de ser reitora , Lygia já tinha sido presidente do sindicato dos professores de Londrina, vereadora, deputada estadual e secretária municipal da mulher.
Paulista de Botucatu, Lygia se mudou para o Paraná logo após a formatura do curso de Biologia. Morou dois anos em Bandeirantes e de lá para Londrina.''Sinto Londrina como se fosse a minha cidade. Passei mais tempo aqui do que na minha cidade natal'', conta a reitora, uma pé-vermelha por opção há mais de 20 anos.
Durante essas duas décadas, a dedicação à UEL foi sempre uma constante. ''Gosto do ambiente universitário'', explica Lygia, que, mesmo com a agenda apertada, diz não abrir mão do contato com os alunos. ''Com isso (contato com os jovens), a cabeça não envelhece'', garante.
''Não consigo ficar indiferente às coisas'', diz a reitora. Além de não se conformar com o que vê ao seu redor, ela também é uma sonhadora. ''Nesses mais de 20 anos de UEL, sempre sonhei com as mudanças que poderiam ser feitas'', conta.
''Algumas coisas já melhoraram, mas ainda há muito para mudar'', avisa a reitora, que se diz indignada com tanta fome e injustiça. Esta semana, Lygia Pupatto anunciou que o número de vagas do cursinho pré-vestibular (para alunos carentes) deve dobrar. Para o ano que vem, o objetivo é acabar com as vagas ociosas. Hoje o número chega a 600 vagas.
''Vamos resgatar o caráter público da universidade'', conta a reitora. Além de aumentar as vagas, a idéia também é prestar contas à sociedade (com um site na Internet) e criar um intercâmbio maior entre universidade e sociedade. E se manter a qualidade do ensino oferecido pela UEL já não fosse um desafio e tanto, Lygia também se propõe à contribuir na qualidade do ensino médio e de segundo grau. ''Faremos isso qualificando os professores, que participarão de cursos na universidade'', planeja.
Com tantos planos, a jornada de trabalho da reitora é sempre de 12, 14 horas diárias. O que não significa que ela descuide da família, amigos ou do próprio corpo. A atividade física é essencial, mesmo que o horário dos exercícios tenha que ser às 7 da manhã.
A filha única mora em Curitiba, mas como as viagens à Capital são frequentes para Lygia, as duas acabam se encontrando bastante. ''Também reservo um tempo para sair com os amigos, ouvir boa música. É isso que recarrega as minhas baterias'', ensina.
''Peguei a UEL com baixa auto-estima, depois do caso da exoneração do reitor'', lembra a reitora, que chega cheia de energia para reverter a situação.
A propósito, a reforma no gabinete não tem nada a ver com um possível ''toque feminino'', para fazer jus à primeira mulher a assumi-lo. ''É mais uma mudança operacional'', explica a reitora. Uma equipe de auditoria será instalada na antiga sala de espera do gabinete. ''Era um espaço que ficava muito tempo vazio'', conta. Sim, as coisas já estão diferentes. Os flamboyants floridos já perceberam.


