Uma saga de sucesso
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de junho de 2012
Marcos André de Brito<BR>Especial para a FOLHA 
Ele nasceu Darsonval José Almeida, na Colônia Central, zona rural de Cornélio Procópio. Estudou Ciências Contábeis, mas se encontrou profissionalmente de verdade no curso de Artes Cênicas em Curitiba. Hoje dirige nada menos do que a Área Técnica do Teatro Municipal de São Paulo.
Depois de percorrer todos os caminhos para fazer sucesso no eixo Rio-São Paulo, Darson Ribeiro - nome artístico - volta às origens e estará presente no Festival Internacional de Londrina, o Filo 2012, nos dias 26, 27 e 28, com a peça ''Disney Killer'', no Cine Vila Rica. Misturando fantasmagoria e surrealismo, o espetáculo enfoca o medo e a luta por sobrevivência. O texto é do autor inglês Philip Ridley com tradução de Darson.
Darson Ribeiro é um destes artistas que já nascem predestinados ao sucesso. No seu caso, foi uma batalha intensa, vencida principalmente pela precocidade - aos 15 anos entrou na faculdade e aos 18 já estava formado em Ciências Contábeis.
Em entrevista à FOLHA, o ator conta que começou a se interessar pelas artes cênicas ainda garoto. A mãe alfabetizava crianças em propriedades rurais na Colônia Central, bairro agrícola, a 11 quilômetros de Cornélio Procópio. Na época, também por iniciativa da mãe, eram realizados espetáculos entre os alunos que improvisavam o figurino com lençóis velhos, folhas de coqueiro, bananeiras e botinas caboclas. ''E lá estava eu, com 5 ou 6 anos protagonizando uma ou outra peça'', lembra Darson.
O artista, que já participou de uma série de novelas na Rede Globo, SBT, Record e Bandeirantes, foi muito precoce na escola, onde a mãe era professora. ''Como não tinha com quem ficar, minha mãe me levava para a escola. Com autorização da Inspetoria de Ensino, fiz o primeiro ano primário com 5 anos. Com 8 anos eu entrei na primeira série do Ginásio de Aplicação com ótimas notas, e já me destacando no quesito artístico'', recorda.
Nesta época, ele foi convidado por Cecília Chueiri, a ''Tia Cecília'', que tinha um grupo de teatro, a participar das peças. ''Foi a Tia Cecília que me oficializou no teatro, e sua filha Cláudia, na dança. Até curso de manequim fiz com a Cláudia, que foi Miss Paraná, e comecei a ganhar algum dinheiro'', conta. Pouco tempo depois, Darson passou a administrar o Grupo de Teatro Comunitário de Cornélio (Teco).
Aos 15 anos, entrou no Curso de Ciências Contábeis, na Faculdade de Cornélio Procópio (Fafi). ''Em 1985, quando trabalhava numa cooperativa da cidade, Tia Cecília me ligou e disse que teria vestibular para Artes Cênicas em Curitiba e que eu deveria fazer. Passei no vestibular e abracei Curitiba como minha cidade'', conta.
Mais tarde, Darson foi trabalhar no Teatro Guaíra como assistente técnico. ''Trabalhava durante o dia e à noite me dedicava às aulas de teatro que eram no próprio Guaíra. Aprendi sobre parte técnica, administrativa, artística, e lá conheci os melhores diretores de teatro do País, porque na época ainda havia grandes espetáculos com Paulo Autran, Raul Cortez, Sérgio
Brito, Fernanda Montenegro e tantos outros.''
Na época, Darson também ajudou na criação de figurinos e luz para o Balé Guaíra e durante algum tempo coordenou a Orquestra Sinfônica do Paraná. ''Costumo dizer que o Teatro Guaíra foi minha segunda mãe. Ganhava pouco, mas aprendi muito'', valoriza.
O paranaense se formou na primeira turma do Brasil de Curso Superior de Artes Cênicas, que teve o ator Paulo Autran como patrono.''Fiz amizade (com Autran) e ele se transformou numa espécie de meu conselheiro. Na reestreia de uma de minhas peças (''Sangue na Barbearia'', em São Paulo), ele já estava debilitado e me ligou dizendo para eu ir até ele, porque não conseguiria ir ao espetáculo'', lembra Darson. ''Ele me disse para eu continuar sendo o mesmo Darson interiorano e não perder a essência adquirida no sítio onde nasci.''
Atualmente, dono de uma produtora, o Darson coleciona personagens e participações em várias novelas e seriados em televisão como ''Brasileiros e Brasileiras'' e ''Éramos Seis'', ambas no SBT. ''Meu Bem meu Mal'', ''Torre de Babel'', ''Aquarela do Brasil'', ''O Clone'', ''Desejos de Mulher'' e Kubanacan'', na Globo, entre outros especiais. ''Não ligo para televisão, mas sim, para o que a arte tem a me dizer. Não é fácil. Minha própria família durante tempos me cobrava o rosto na telinha'', afirma.
Sobre sua cidade natal - Cornélio Procópio -, Darson Ribeiro não esconde a emoção e faz um desabafo. ''Amo essa cidade, amo minha família. Mas sinto tristeza em não me apresentar em Cornélio, por falta de uma política cultural convincente.''


