Uma reflexão sobre a vida
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de maio de 2009
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Sentada no sofá da casa pertencente à sua família em Londrina, Sônia Sahão, 57 anos, relembra os momentos de sua infância vivenciados ali, e se emociona.
A primeira impressão não engana a quem pôde ter alguns minutos de sua companhia. Seu jeito é típico de quem recebe as pessoas sempre com gentilezas e um sorriso no rosto.
E antes mesmo de contar sua trajetória, Sônia, que é descendente de libaneses, revela-se uma eterna aprendiz de suas próprias reflexões sobre a vida e o amor. Temas, aliás, que despertaram o desejo de publicar seu quarto livro O Amor - A Grande Ferramenta.
Dona de uma personalidade tranquila, Sônia evoca suas raízes londrinenses. Lembra de seu avô, Salim Sahão, um grande pioneiro pé-vermelho, que cultivou muito café, algodão e cereais, além de ser fundador de um dos prédios mais antigos da cidade, o Hotel Sahão. Simples e descontraída, ela afirma que nunca planejou nada em sua vida, mas se orgulha ter tomado os rumos que tomou.
Do colegial no Mãe de Deus à formação acadêmica em Direito pela Universidade Estadual de Londrina, seu currículo destaca serviços prestados na área de comunicação para a Associação Comercial e Industrial de Londrina, especialização em Comércio Exterior e Marketing Internacional, em São Paulo, onde reside atualmente. Sonia ainda chegou a cursar a faculdade de Jornalismo na Casper Líbero durante dois anos.
Porém, foi na setor hoteleiro que sua trajetória seguiu outros rumos além fronteiras. A hotelaria surgiu em seu caminho profissional por mero acaso, no Caesar Park, em São Paulo; depois prestou consultoria para o Intercontinental e para o The Leading Hotels of the World, um escritório de hotéis de luxo em todo o mundo.
Hoje, Sônia está à frente de sua própria empresa de representação, onde responde, no Brasil, por toda a parte de marketing, comunicação, estratégia de mercado e eventos da rede Dorchester Collection. Eu só não faço reservas, brinca. Nesse portfólio estão os hotéis Plaza Athénée e o Le Meurice, de Paris; Príncipe di Savoia, de Milão; Hotel Belair, de Los Angeles; The Bervely Hills Hotel; Dorchester de Londres e New York Palace, além da luxuosa clínica de tratamento estético La Prairie, em Genebra, nos Alpes suíços.
Algumas vezes, nem chego a desfazer as malas. Já até perdi as contas dos carimbos que tenho no passaporte, e isso é muito bom porque viajar é a melhor escola da vida, pois você vê diferenças de culturas. Essa riqueza de amizades e experiências é que vale a pena, conta.
Há outra paixão que move Sônia: a palavra escrita. A experiência adquirida com o jornalista Almeida Júnior, muito amigo de seu avô, firmou as diretrizes que deram forma a quatro livros Salim Sahão, Meu Avô; Alô, Alô, Herdeiros; Takehara Akagawa, Uma Vida Dedicada ao Turismo e o último A Amor - A Grande Ferramenta, que reverterá em benefício de instituições de caridade, já lançado em Londrina, Curitiba e São Paulo, e com lançamentos agendados em Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília.
O livro é um agradecimento à vida, à saúde e ao amor, pois eu comecei a escrevê-lo em um momento em que tentava compreender algumas situações familiares que estavam ocorrendo, ao mesmo tempo em que enfrentava um problema de saúde. Acho que essas foram as grandes motivações para eu começar a escrever, pois foi justamente no momento em que eu descobri que o amor é a chave de tudo.
Ao percorrer os doze capítulos do livro, o leitor encontra ferramentas para refletir sobre os valores de pequenos atos e delicadezas que estão sendo esquecidos na vida moderna. Mínimas palavras como por favor, com licença e muito obrigada, como Sônia mesmo diz, são sempre atuais e atemporais.
As pessoas estão correndo muito e se esquecendo delas próprias. Meu livro fala em amar, compartilhar, dividir, sonhar, fazer o bem. Eu sempre falo que a pessoa pode resolver um problema em cinco minutos ou em cinquenta anos, só depende da vontade dela. Falta diálogo entre família, casal, amigos. Digo que é melhor pecar pelo excesso do que pela omissão, diz.
Outro ponto que Sônia se propõe a discutir é que não existe falta de tempo. Para ela, o tempo depende da nossa própria vontade. Isso fica claro quando ela revela que na hora do almoço, sempre desliga o celular e procura se dedicar a outros assuntos.
E assim, como quem cultiva hábitos simples e está sempre disposta a praticar e disseminar boas ações, Sônia se autodefine como uma aprendiz da vida. Eu não sou nada. Tenho muito o que aprender ainda. Como eu disse, não planejo nada, porém confesso que vontade de escrever mais um livro, sobre hotéis, mas não sei quando. Como sempre, vou deixar a vida me mostrar o caminho.


