Uma questão de pele
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2001
Karla Matida<br> De Londrina 
No final do mês, quando terminar a sua licença maternidade, a professora e psicóloga Marcia Cristina Caserta Gon irá retornar às aulas (isso se a UEL não estiver em greve) e também para o projeto de pesquisa que envolve crianças com problemas crônicos de pele. O marido, dermatologista, foi o inspirador da pesquisa, que teve início em junho do ano passado e deve ficar pronta no final de 2002.
''Diferente da maioria das doenças, o problema de pele aparece'', explica Marcia, que com seu projeto quer criar um atendimento diferenciado e específico para crianças de 2 a 12 anos, na clínica escola do curso de psicologia. ''A idéia é começar com a criança para que isso tenha uma influência no futuro'', afirma a psicóloga, que em suas pesquisas preliminares não encontrou trabalho semelhante.
O fato de os problemas serem crônicos acaba deixando não só as crianças ansiosas como também seus pais. ''O estresse acaba influindo no grau das lesões e isso afeta o comportamento'', diz Márcia, que no ano passado esteve em contato com pacientes do Hospital das Clínicas da UEL. ''Há muitos casos de depressão, queixas somáticas e isolamento social'', completa. De acordo com a psicóloga, as pessoas com problemas de pele acabam sendo estigmatizadas por serem diferentes. ''Os outros têm relutância em chegar perto'', diz.
Ao voltar para o trabalho, Marcia dará continuidade às entrevistas com os pais - a princípio, o objetivo é trabalhar com 15 crianças - que estão passando por uma triagem feita com o auxílio dos estagiários do quarto e quinto anos de psicologia. ''A idéia é que isso se torne algo permanente dentro da clínica escola, e que as pessoas com problemas crônicos de pele tenham para onde se dirigir'', explica.
A participação dos pais é fundamental, segundo a psicóloga. ''O equilíbrio emocional dos pais é transmitido para os filhos'', afirma. ''Vamos trocar experiências entre os pais também'', conta Marcia, que tem a assessoria do marido Arthur. ''O apoio do médico da família também é importante'', completa.


