Todas as semanas, dezenas de celebridades mostram a cara na revista Caras. Mostram também suas roupas, suas casas, suas viagens, seus objetos e seus novos (ou antigos) parceiros. Exibem seu ''sucesso'' em nada menos que 389.361 exemplares, lidos, calcula-se, por quatro pessoas cada.
Por trás desse fenômeno editorial, há 8 anos nas bancas brasileiras, está uma fórmula que privilegia a imagem. Marcos Rosa, editor de fotografia da Caras, admite que essa fórmula tem uma intenção clara de conquistar o leitor. Ele, que antes da Caras trabalhou nas revistas Senhor e Veja, cobriu eventos como o Oscar e a Copa do Mundo, há 7 anos decide que imagem o leitor verá em Caras. Marcos Rosa cuida da finalização das matérias que vêm da Bahia, Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e do exterior. ''A diferença é que, enquanto na maioria das publicações semanais uma boa foto é o suficiente para ilustrar uma matéria, em Caras usamos várias fotos, que contam uma história, com uma linguagem própria'', explica. ''E repare que, na maioria das fotos, as celebridades 'olham' para o leitor, estabelecendo uma relação de intimidade entre eles'', observa.
O texto, segundo ele, não é ''coadjuvante da foto''. Texto e foto se complementam, têm pesos iguais. E ele nem poderia se posicionar de forma diferente, já que a editora chefe é Andrea Dantas, sua mulher. Um casamento perfeito.
Quando foi convidado para assumir a editoria de fotografia da Caras, Marcos Rosa ouvia dos amigos: ''Como é que você, um profissional conceituado no fotojornalismo, vai trabalhar na Caras''? Ele acha, entretanto, que a mudança não foi para uma revista menos séria, mas para uma mais leve. ''Tanto em uma quanto em outra, o critério para a escolha da foto que será veiculada é o da informação. Primeiro, procuro a informação. Depois vou ver se a foto está bem enquadrada, bem iluminada, no foco. Jornalismo é isso'', explica.
''É impressionante o poder de uma foto da Caras, comenta. Imenso. Tem gente que não posa para ninguém e posa para Caras. Ela dita moda e comportamento. Mulheres, pelo Brasil afora, copiam os vestidos usados pelas personagens da revista. Outro dia, eu almoçava num restaurante em São Paulo, quando vi um senhor com várias revistas na mão, conversando com uma moça. Eles tratavam sobre o casamento da filha, e as fotos de Caras serviam de inspiração'', conta.
Para Marcos Rosa, algumas pessoas são, sim, mais colunáveis do que outras. Entre elas, ele cita Xuxa Meneghel. O que conta? ''Charme, charme conta muito. E também carisma; mas isso não somos nós que decidimos, são os leitores'', afirma. ''E a revista está sempre de olho nessas pessoas.''
O editor acredita que o diferencial de Caras está no fato de a publicação mostrar ''os brasileiros que deram certo''. Sua teoria é a de que ''todo mundo gosta de saber que seu ídolo, seja ele um artista, um empresário ou arquiteto, está se dando bem. A Caras mostra o lado bom, o lado legal, o lado sucesso daquela pessoa''. E conclui: ''Tudo bem que a gente fala também de rompimentos e separações, mas isso faz parte da emoção humana. O leitor quer saber da intimidade das outras pessoas. É histórico, é do ser humano. Vem dos tempos de Roma Antiga, ou antes, até.''

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