Dilvo Grolli é um homem que respira informação. É a base de seu trabalho à frente da presidência da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel). Em 15 anos integrando a cooperativa, seis deles no cargo de presidente, Grolli aprendeu que a informação é um instrumento precioso no desenvolvimento de qualquer empresa. Aliada à tecnologia, pode direcionar o caminho a ser seguido.
É com esse estilo de administrar que a Coopavel caminha a passos largos. Hoje é a quarta cooperativa em produtividade no Estado e está em décimo no País. A empresa fechou o ano passado com uma contabilidade bastante saudável, R$ 327 milhões. Dilvo Grolli faz questão de frisar que esses são resultados de um trabalho em conjunto, mas a sua visão ampla tem ajudado a traçar os rumos da cooperativa.
Formado em Administração de Empresas pela Universidade do Oeste (Unioeste), o empresário migrou do setor financeiro para o agropecuário, em 1985, iniciando suas atividades como diretor secretário da Coopavel.
Dedicando 12 horas do seu dia à empresa, Dilvo Grolli define bem qual é o seu estilo de administrar, ao incluir em seus diálogos citações como a do escritor espanhol Miguel de Cervantes. ‘‘Um homem não é mais do que o outro, apenas faz mais do que o outro’’, diz.
Dilvo Grolli faz uso da frase para justificar um pensamento próprio. O de que a cooperativa moderna na era da globalização tem que ser ágil, competente como as grandes multinacionais da área de agronegócio mundial. Essa agilidade se volta para a busca de informações e a utilização de tecnologia. ‘‘É preciso ter uma visão macro das coisas e para isso contamos com o auxílio dos meios de comunicação, que hoje nos trazem notícias sobre a economia mundial. O agricultor precisa receber isso com mais intensidade e nós temos que levar essa visão moderna a todos eles. Nossa responsabilidade é não deixar a empresa plantada no milênio anterior’’, enfatiza.
Foi por meio desse pensamento que surgiu um dos mais importantes eventos no setor de agrobusiness no País. O Show Rural Coopavel é uma versão do Farm Progress Show, realizado nos Estados Unidos. Nele o produtor rural tem contato com que há de mais moderno no segmento e tem a oportunidade de transferi-lo para sua propriedade.
‘‘Nós trouxemos essa idéia porque o importante é que quando você encontra algo bom para sua empresa é preciso aplicá-lo. Não conhecíamos a proposta, gostamos do que vimos e tivemos a decisão e o discernimento de trazê-lo para Cascavel. Trabalhamos muito para que esse evento fosse implantado no ano seguinte, em 1989. As boas idéias precisam ser colocadas em prática’’, argumenta.
A visão administrativa de Dilvo Grolli inclui também outros conceitos, como agregar valores aos produtos, melhorar controles e reduzir custos e – o que é fundamental – aperfeiçoar a mão-de-obra. Este último item, segundo Grolli, se não faz diferença hoje, fará diferença no futuro.
Desse pensamento nasceu a Universidade Coopavel (Unicoop), fundada no ano passado. A Unicoop surgiu da necessidade não só de aprimorar o conhecimento dos produtores, mas também de acompanhar as tendências mundiais. ‘‘Buscamos trazer essas tendências para a região’’, diz.
Outra postura de Dilvo Grolli como administrador é de se manter em conexão com o mundo. Passando longe das polêmicas que envolvem a globalização, ele coloca o processo como irreversível: ‘‘A globalização é um modelo que veio para ficar, não podemos combatê-lo, o que precisamos é trabalhar para diminuir as diferenças entre países do primeiro mundo, países em desenvolvimento e os países subdesenvolvidos, é preciso trabalhar para que os efeitos sejam positivos a todos, mas não adianta lutar contra ela’’.
Dilvo Grolli vai mais além e estende o conceito ao sistema cooperativista. ‘‘A cooperativa que não implantar essa visão do agronegócio globalizado tem ou terá problemas no futuro. Feliz da empresa ou da cooperativa que já está implantando a visão globalizada, mas agindo localmente para não se distanciar do nosso principal objetivo que a proteção econômica do produtor rural.’’
Como todo administrador, Dilvo Grolli trabalha buscando atingir metas. ‘‘Tenho como meta melhorar mais e mais. A Coopavel precisa estar entre as principais empresas do País e comparada com produção e custo mundialmente. Para chegar a isso precisamos de trabalho, tecnologia e informação’’, afirma. Esse objetivo não está só relacionado à posição que a empresa ocupa no ranking da cooperativas no Estado e no País. ‘‘Nossa pretensão é continuar o trabalho de melhoria da qualificação do produtor rural, da melhoria da estrutura da Coopavel e consequentemente do produto’’, informa.
É evidente a preocupação do empresário com o crescimento do produtor rural. Ele elaborou uma cadeia de ações que cabem a uma cooperativa e que contribuem para esse desenvolvimento. ‘‘Primeiro educar as pessoas, segundo fazer com essas pessoas vivam melhor e estabelecer um preço justo entre o produtor e o mercado. Nós temos que fazer essa intermediação. Se o produtor não consegue chegar no mercado fica isolado e não terá um preço justo. Organizado em cooperativa o produtor faz parte de um bloco de pessoas que podem conquistar um valor melhor de mercado’’, explica.
Em 2000 a maré do mercado econômico provocou náuseas em alguns setores. Passar por altos e baixos também faz parte do planejamento de Dilvo Grolli. ‘‘Existe o cenário positivo e o cenário negativo, e você tem que trabalhar com os dois cenários. Dentro do cenário negativo existe sempre a possibilidade de vendavais e quando você trabalha com essa possibilidade, isso se chama crescimento. Um ano eu posso crescer mais, outro posso crescer menos, agora jamais eu posso ser levado pelo cenário negativo. É preciso se deixar levar pelo cenário positivo, mas nunca deixar de considerar a possibilidade de termos divergências.’’
O empresário tem na leitura de matérias técnicas sua fonte de conhecimento. Na lista de autores preferidos está Peter Draker. As teorias de Draker voltadas para o atendimento ao cliente são espelho para a metodologia utilizada dentro da Coopavel. Entre as personalidades que Dilvo Grolli costuma citar como modelo está o presidente do Banco de Boston, o brasileiro Henrique Meirelles, autor de uma frase utilizada com frequência pelo empresário: ‘‘Liderar é transmitir um sonho, é preciso inspirar as pessoas a chegar a um lugar onde elas ainda não estão.’’
Como presidente da Coopavel, Dilvo Grolli quer justamente isto: inspirar os produtores rurais a pensar e ir mais além.

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