''Achei melhor parar antes que os meus alunos me pedissem'', brinca a ex-professora de literatura Estella Baggio Giacóia. Isso foi há seis anos e a ''aposentadoria'' durou apenas dois meses. ''Percebi que não conseguiria ficar em casa sem fazer nada'', lembra.
Na mesma época, a loja de perfumes de uma prima não estava indo muito bem e Estella resolveu comprá-la. Mas ficou só com o nome. ''Não queria abrir apenas mais uma loja de perfumes'', conta Estella, que durante três meses ficou com os perfumes em casa. ''Eu sou alérgica a alguns perfumes, então todo dia usava um diferente para testar. Foi aí que pensei que não deveria ser a única no mundo e que muita gente poderia estar comprando um perfume para usar só dois ou três dias'', explica.
Foi quando surgiu a idéia do primeiro self-service de perfume do País (''hoje já existem várias imitações''), vendendo fragrâncias em frascos de 10 a 100 ml. ''Eu me achava incapaz de vender qualquer coisa, mas eu não tinha idéia que já vendia algo nas minhas aulas'', diz Estella, que foi professora por 34 anos e hoje se prepara para alcançar o número de 200 franquias espalhadas pelo Brasil.
Recém-chegada da Europa, Estella conta as novidades das duas feiras de cosméticos que visitou em Paris e Mônaco. ''A de Paris não valeu nem o bilhete do metrô'', brinca. Mas na bagagem da empresária vieram quilos de novidades e muitas idéias. ''Só que o Brasil não está tão atrás assim'', explica. Para a empresária, a deficiência fica só no quesito dos frascos e tampas.
coisa que a Adega já faz há seis anos'', explica. Este ano, Estella passou a vender também uma linha de maquiagem voltada para a mulher prática. Alguma inspiração na empresária não seria mera coincidência.
Com franquias em todo o País, Estella viaja para lugares que jamais pensou em conhecer, como Ananindeua, no Pará. ''Em uma das cidades, a única forma de propaganda era um homem com um sistema de som montado numa bicicleta'', lembra Estella, que se entusiasma com as pessoas e comidas diferentes que vai encontrando na expansão dos seus domínios. Mesmo com tantas diferenças, os perfumes mais vendidos são os mesmos em todo o Brasil.
Das 60 fragrâncias vendidas pela franquia os planos são de aumentar a linha com outras 40 no ano que vem , uma delas causou polêmica. ''O Brasil inteiro falou sobre isso'', explica a empresária, que no ano passado se viu no meio de uma briga judicial com o hollywoodiano Leonardo DiCaprio.
Tudo porque o ator descobriu que o perfume DiCaprio já existia no Brasil patenteado por Estella e acionou os advogados. ''Nem estou me preocupando mais com isso'', diz. Ao que parece o ator resolveu deixar a pendenga de lado. Seria influência da namorada brasileira Gisele Bundchen. ''Cheguei a mandar um recado por um advogado amigo da família Bundchen, que eu iria destinar a venda para uma entidade beneficente'', diz.
Planos para o futuro? ''Agora que já temos os melhores conteúdos, vamos cuidar das embalagens'', garante a empresária. Outras boas idéias saindo do forno? Pelo sorriso da ex-professora, pode apostar que sim.

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