Uma lição de solidariedade
Simone Mattos
De Curitiba
Se para alguns o Natal rima com solidariedade, para a coordenadora administrativa da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Isolde Schmidt Paranhos, 58 anos, os 365 dias do ano têm o mesmo significado. Há quase duas décadas, ela trabalha arduamente junto aos pacientes carentes do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba. Dedico 24 horas dos meus dias a esta causa, afirma.
Embora muitos só lembrem do trabalho da Rede Feminina na época do Natal, quando os famosos cartões são comercializados em todo o Paraná, atingindo cerca de 400 mil compradores, a ação coordenada por Isolde vai muito além.
De segunda a sexta, a partir das 7 horas, um grupo de 232 voluntárias, com idades de 18 a 60 anos, encaminha, orienta e conversa com os pacientes que chegam no hospital, o que significa cerca de 1.400 atendimentos por dia. São pessoas muito simples, que chegam ao hospital de chinelos de dedo e sem saber para onde ir, comenta Isolde.
Além desta função, a Rede arrecada ou compra e distribui roupas, produtos de higiene e medicamentos a estes pacientes. Exames e próteses que precisam ser feitos fora do hospital, passagens, hospedagem e cestas básicas para as famílias dos pacientes também são providenciados pela Rede. Temos um custo mensal aproximado de R$ 60 mil, explica Isolde.
Para correr atrás de tanta doação, a coordenadora da instituição não pode descansar nunca. Quando não estou no hospital, preciso estar em eventos sociais ou em contato com empresas e pessoas que possam vir a nos ajudar, afirma.
Ela comenta que em dezembro as pessoas se tornam mais solidárias por causa do Natal e nunca faltam doações. Em janeiro, em compensação, sempre precisamos fazer campanhas para conseguir o que precisamos, comenta.
O trabalho da Rede começou em 1954, numa ação conjunta de Anita Gaertner e Edite Pizzatto, hoje com 83 anos e presidente da Rede. Ela ainda faz contatos diários conosco, apesar de estar em casa por problemas de saúde, conta a coordenadora.
Isolde a conheceu pessoalmente em 1980, quando foi à Rede para fazer doações. O que me motivou foi o lado bonito do hospital que a Dona Edite me mostrou, o lado da solidariedade, lembra. A motivação foi tanta que Isolde nunca mais deixou de participar da Rede.
Nascida na cidade Ponta Grossa (PR), viúva, com dois filhos e cinco netos, Isolde afirma que hoje não vive mais sem o seu trabalho voluntário. Tenho dedicação total e não consigo mais me desligar, me desvincular e nem imaginar a minha vida sem isto, diz. Antes, ela sempre havia trabalhado como dona de casa. Hoje, garante desfrutar de vida nova.
Agradeço a Deus todos os dias pela oportunidade que tenho de participar e de ajudar a sociedade desta forma, afirma ela. Sei que tenho uma função muito importante perante Deus.
Apenas o exaustivo trabalho de comercialização dos cartões, que reverte em cerca de R$ 200 mil anuais para o setor de Pediatria do hospital, ajuda a 2.300 crianças todos os anos.
Além de ajudar, as voluntárias recebem muito em troca, segundo afirma Isolde. Temos lições diárias de vida com estas pessoas que ajudamos, garante. Ela cita o exemplo de uma senhora com mais de 70 anos de idade, internada no hospital. Além de ser paciente, seu marido e filho também sofrem de câncer. Ela tem muita garra, muita força de vontade de viver e se esforça ao máximo para superar a sua doença e ajudar os familiares, conta emocionada.
Na opinião de Isolde, de forma geral as pessoas atualmente estão mais solidárias e conscientes do que há 19 anos, quando iniciou o seu trabalho. Acho que elas estão percebendo que não existem apenas bens materiais, procurando mais o espiritual e ajudando mais os semelhantes, afirma.Isolde Schmidt Paranhos multiplica o espírito de Natal pelos 365 dias do ano
ReproduçãoCartões de Natal com estampas criadas por crianças e comercializados pela Liga Feminina de Combate ao CâncerKraw PenasTenho dedicação total e não consigo mais me desligar, me desvincular e nem imaginar a minha vida sem isto





