Uma ideia na cabeça e um carrinho na calçada
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de janeiro de 2010
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Até que ponto os pais podem influenciar no destino dos filhos?
O advogado Luis Cesar Brecailo, 41 anos, tem a resposta na ponta da língua. Filho do radialista Luiz Gonzaga Brecailo, ele passou a infância vendo o pai desenvolver ideias pra lá de criativas. Nascido em Mandaguari, mudou-se com os pais ainda criança para Londrina. E foi em Londrina que ele, o irmãos Fábio e Rossana viram o pai - que foi proprietário da rádio Paiquerê - criar um negócio que mudaria a rotina da capital, já que foi para lá que eles se mudaram posteriormente,
na década de 70.
Em uma das inúmeras viagens que fazia, o progenitor trouxe uma ideia curiosa para o Norte do Paraná: vender lanches em um carrinho ambulante. Como queria um lanche popular e que agradasse a todos os gostos, apostou no cachorro-quente. O diferencial foi ter criado o layout dos carrinhos Au-Au, algo inusitado para época. Naquela época o conceito de lanchar fora de casa não existia, conta Brecailo, que tinha apenas sete anos, mas lembra com clareza o impacto que os carrinhos desenvolvidos pelo pai tiveram na cidade.
Além da forma diferenciada de distribuir o lanche, o sanduíche tinha outra peculiaridade: uma receita de pão desenvolvida especialmente para o negócio. Uma receita tão especial que até hoje, mais de três década depois, é guardada a sete chaves pela família. Os padeiros que vêm trabalhar conosco assinam um acordo de confidencialidade, conta o filho, que hoje está à frente do negócio. Ele cursou Direito, aliás, justamente para gerir melhor o negócio da família, a rede de lanchonetes Au Au, que nasceu em Londrina, transferiu-se para Curitiba e em 2009 começou um processo de franquias. A meta é instalar-se em cidades de todo o Brasil.
Na capital, a lanchonete é uma espécie de ícone da cultura curitibana. Não há quem não conheça os famosos cachorros-quentes da rede que, com o passar dos anos, atualizou-se, mas não perdeu o referencial desenvolvido pelo seu criador. A lanchonete, por exemplo, não vende bebidas alcóolicas, e desde a década de 80, quando a Prefeitura proibiu a venda de lanches por ambulantes, os carrinhos ficam estacionados em frente à lanchonete. Há quem ache que o cachorro-quente dos carrinhos é diferente dos preparados dentro da lanchonete, mas garanto que é o mesmo processo,
brinca Brecailo.
Ele lembra que desde sempre acompanhou o pai no processo de estruturação da rede. Chegou a cursar Administração, na Universidade Federal do Paraná, para acompanhar as mudanças, mas não concluiu o curso. Esteve em Londres numa viagem de pesquisa e depois optou pelo Direito, principalmente para entender as peculiaridades da relação com os funcionários. Encontrar mão de obra especializada, aliás, para Brecailo, é uma das maiores dificuldades de um negócio. Hoje, a rede conta com cerca de 250 funcionários, nas
10 lojas e dois quiosques espalhados por Curitiba.
Desde que começou a abrir o processo de franquias, há cinco meses, o advogado teve uma surpresa: foram oito lojas negociadas em tempo recorde e dezenas de outras propostas. A meta é encerrar 2010 com 20 franquias espalhadas pelo Brasil. Brecailo reforça que a
meta com as franquias é ampliá-las, mantendo a qualidade e o diferencial criado pelo pai.
Luiz Gonzaga Brecailo, o criador da rede, morreu há
11 anos e, desde então, os três filhos estão à frente do negócio. Um exemplo de
que os pais podem, sim, influenciar o destino
e a profissão dos filhos.


